Pediatria pode ter abusado de auxiliares
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domingo, 24 de março de 2002
Agência FolhaSão Paulo 
A polícia suspeita de que nem todas as vítimas do pediatra Eugenio Chipkevitch eram pacientes do médico. Investiga a possibilidade de jovens que auxiliavam o profissional em suas publicações (boletins e revistas) e outras atividades terem sido alvo do profissional, preso na última quinta-feira sob a acusação de praticar abuso sexual contra menores de idade. Ele tinha outras atividades com um grupo de jovens, disse o delegado titular do 51º Distrito Policial (Butantã), Virgílio Guerreiro Neto.
Segundo o delegado, o fato do médico se apresentar também como terapeuta facilitava seu acesso aos adolescentes. Guerreiro Neto não quis dar mais detalhes dos indícios de que o médico supostamente abordaria outros jovens.
Muitos pais que levaram os filhos ao consultório do pediatra foram à delegacia nos últimos dias. O delegado ainda não convocou clientes para serem ouvidos. Ele não molestou todos os pacientes, afirmou. De acordo com Guerreiro Neto, Chipkevitch teve cerca de 3 mil pacientes.
O delegado deve ouvir o médico hoje no fim da tarde. Ele está sozinho em uma cela por precaução. Policiais disseram que aparenta calma, pouco fala e reclamou que sofre um massacre da imprensa.
Ainda de acordo com a polícia, Chipkevitch não tem parentes no Brasil -o pediatra nasceu na Ucrânia e veio com os pais para o país aos 15 anos. O filho adotivo do pediatra, informou a polícia, já estava sob a guarda temporária da mãe antes do início do escândalo.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo pedirá à Justiça hoje a suspensão cautelar do registro e carteira profissional do pediatra.


