Londrina - A partir de hoje, casos não emergenciais de beneficiários do Sistema de Assistência à Saúde (SAS) não serão mais atendidos pelo Hospital Infantil Sagrada Família, administrado pela Irmandade da Santa Casa de Londrina. O motivo da negativa é a defasagem no valor dos plantões que já chega a 100% e já duraria mais de oito anos para 13 pediatras plantonistas do Hospital Infantil.
De acordo com o presidente do departamento de defesa profissional da Sociedade Brasileira de Pediatria, Milton Macedo, a decisão tomada pelos médicos visa chamar a atenção do governo sobre a necessidade do reajuste de valores, já que estes não chegariam nem à metade do valor previsto pela classe.
Segundo Macedo, atualmente, a Classificação Brasileira de Hierarquização de Procedimentos Médicos (CBHPM) estabelece que o valor bruto das consultas médicas deveria ser de R$ 60 e os plantonistas do Hospital Infantil estariam recebendo cerca de R$ 22,50 por consulta.
''Não é mais possível você trabalhar com valores tão defasados diante da realidade de gastos que temos hoje até mesmo com impostos'', afirmou Macedo, que é médico no Hospital Infantil. ''Desde junho de 2009 nós aguardamos por um entendimento, mas até agora nada aconteceu. Essa foi a alternativa que encontramos para chamar a atenção para o problema.''
A direção da Irmandade da Santa Casa de Londrina (ISCAL), que administra o SAS-Londrina e o Hospital Infantil, informou por meio de nota que os beneficiários do SAS atendidos no Hospital Infantil Sagrada Família não serão prejudicados com a decisão dos pediatras de não atenderem mais pelo SAS, pois os casos de os casos de urgência e emergência que chegarem ao Hospital serão atendidos normalmente.
Os outros casos serão encaminhados para atendimento no ambulatório do SAS em Londrina.
De acordo com a direção, a entidade atende, em média, 10 crianças diariamente pelo SAS. Cerca de 50% dos casos seriam casos de emergência e urgência e os outros 50% correspoderiam aos casos menos graves. Assim, pediatras do ambulatório do SAS terão que aborver uma demanda de cinco crianças a mais por dia até que o problema seja solucionado.
A direção ainda negocia com o governo do Estado um reajuste nos valores que permita atender a reivindicação dos pediatras, mas não há um prazo para a definição.

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