Curitiba - Os planos de saúde têm até a próxima semana para encaminhar uma proposta de aumento no valor pago pela consulta aos médicos pediatras. Caso contrário, poderá haver um descredenciamento em massa dos profissionais da categoria. Isso significa que grande parte dos atendimentos não poderá ser feita através do convênio, mas sim pagos como consulta particular. O prazo foi dado pela Sociedade Paranaense de Pediatria (SPP). A alteração pode fazer com que aumentem as filas no atendimento pediátrico do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o médico Gilberto Pascolat, secretário geral da Associação Médica do Paraná (AMP) e tesoureiro da SPP, há aproximadamente 1,2 mil pediatras no Estado. Os profissionais que atendem pacientes de planos de saúde recebem entre R$ 15 e R$ 42 por consulta. A classe médica pede que o valor seja reajustado para R$ 80. Algumas empresas propuseram pagar entre R$ 45 e R$ 52, mas ainda está aquém do esperado pelos pediatras.
''Muitos profissionais pagam para trabalhar. Alguns já se descredenciaram das operadoras por conta própria'', diz Pascolat. O médico informa que o plano de saúde dos funcionários da Petrobras passou a pagar R$ 80 por consulta, assim como algumas operadoras de Brasília.
Médicos de outras especialidades ganham o mesmo valor por consulta, mas acabam recebendo a mais por serviços extras, como cirurgias, eletrocardiogramas e demais exames, muitas vezes realizados dentro do próprio consultório. Já o pediatra depende quase que exclusivamente de consultas.
Prós e contras
O Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar) apóia uma discussão sobre a melhor valorização dos profissionais. O órgão integra, com o Conselho Regional de Medicina e da Associação Médica do Estado, a Comissão de Honorários Intermunicipais. O grupo realiza reuniões semanais para discutir o assunto e já enviou uma carta para todos os planos de saúde sobre a defasagem nos pagamentos.
Segundo o sindicato, há quase uma década os médicos não recebem reajuste no valor repassado pelos planos, enquanto que nesse período as operadoras subiram 104% o preço cobrado dos pacientes. Além dos pediatras, outras áreas médicas também podem se organizar e iniciar movimentos para reivindicar aumento.
Porém, o Simepar acha temerosa a proposta de descredencialização em massa. ''Isso leva a problemas judiciais. A sociedade médica está correta em buscar os direitos, mas existem maneiras de fazer isso. Se for necessário, o descredenciamento geral é uma das últimas etapas'', diz o primeiro secretário do sindicato, Cidon Mendes de Oliveira.
Reflexo
Em nota, a Unimed Curitiba comunicou que a cooperativa está atenta às reinvidicações da classe médica. ''Em relação a afirmação de que médicos farão descredenciamento unilateral de planos de saúde, isto só cabe para operadoras de planos de saúde que não são cooperativas, visto que entre médicos e cooperativas Unimed a atuação é como sócio e não como credenciado contratado'', comunicou. Ainda segundo o comunicado, a remuneração dos médicos que atendem os clientes é reflexo das leis, em especial as que regem cooperativismo, e das regras emanadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.
A FOLHA entrou em contato com algumas das principais operadoras que atuam no Paraná para que pudessem comentar sobre o assunto, mas não obteve retorno.

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