São Paulo - O pediatra Eugênio Chipkevitch, 47, acusado de dopar e abusar sexualmente de crianças e adolescentes em seu consultório, se reservou ao direito de só falar em juízo e não respondeu às perguntas da polícia no 51º Distrito Policial (Butantã). O médico também não assistiu às fitas de vídeo que conteriam cenas dele com seus pacientes.
Chipkevitch deixou o 51º DP por volta das 16h cobrindo o rosto com as mãos. Ele foi levado em um carro da polícia para o 13º DP, onde ficará detido.
Segundo o advogado do médico, Otávio Augusto Rossi Vieira, ele colaborou com a polícia ‘‘no sentido de não declarar nada, um direito garantido em Constituição’.
Os advogados Otávio Augusto Rossi Vieira e Paulo Sérgio Leite Fernandes, que defendem o pediatra, e o promotor José Carlos Blat acompanharam o depoimento do médico. Blat afirmou que, independentemente do resultado da perícia nas fitas – nas quais o médico apareceria abusando sexualmente de adolescentes –, ele já tem um laudo parcial com transcrição e imagens digitalizadas dos supostos crimes que vão ser entregues ao delegado Virgílio Neto, responsável pelo caso.
O promotor também classificou como ‘‘absurda’ a declaração do advogado Leite Fernandes, que disse que as imagens ‘‘não são provas’.
Indiciado - O delegado titular do 51º Distrito Policial, Virgílio Guerreiro Neto, disse ontem que Eugênio Chipkevitch foi indiciado por atentado violento ao pudor. O médico, se condenado, pode pegar de seis a dez anos de prisão por cada um dos crimes que for acusado.
O delegado não quis revelar quantas supostas vítimas já procuraram a polícia para denunciar o pediatra. Os nomes das famílias serão mantidos em sigilo para preservar as vítimas.
Guerreira Nato afirmou que ainda não sabe se pedirá a prisão preventiva do pediatra, mas que solicitará a prorrogação da prisão temporária.

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