Pediatra é assassinada na porta de posto de médico em SP
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domingo, 03 de outubro de 1999
Por Natalie Antar 
São Paulo, 04 (AE) - A pediatra Lucy Mayumi Udakiri, de 39 anos, foi assassinada com dois tiros quando parava o seu carro, um Gol ano 98, no estacionamento do Posto de Atendimento à Saúde da Cohab José Bonifácio 3, em Itaquera, zona leste da capital paulista. O crime aconteceu no início da manhã de hoje, na frente de aproximadamente 50 pessoas, entre elas algumas crianças, que estavam em uma fila na porta do local aguardando atendimento. Segundo a polícia, o menor conhecido como Baianinho
de 17 anos, que fugiu do Complexo Imigrantes da Fundação Estadual do Bem-Estar do menor (Febem), a menos de um mês, está sendo apontado como um dos suspeitos de ter cometido o crime.
Lucy, que trabalhava no posto há sete anos, era sempre a primeira médica a chegar. Hoje, ao estacionar seu veículo, por volta das 7 horas, ela foi abordada por dois homens armados que anunciaram o assalto. Segundo testemunhas, um dos assaltantes estava parado na fila de atendimento. O outro entrou pelo portão principal. "Os ladrões ficaram um em cada lado do carro, e exigiram a bolsa da doutora", disse o estoquista Vicente Bloise
de 33 anos, uma das 50 pessoas, que esperava atendimento no posto. "Assustada, a médica abraçou a bolsa, pois não queria entregá-la aos assaltantes".
Nesse instante, o ladrão que estava do lado da motorista efetuou dois disparos, um atingiu o ombro da médica e outro as costas. Em seguida, os dois fugiram a pé, levando apenas a chave do carro. Houve tumulto, pois as pessoas que estavam na fila começaram a correr a procura de um abrigo. "A intenção era roubar o carro, mas logo em seguida, uma pessoa que estava em um Fusca entrou no local atrapalhando a saída do carro do estacionamento", disse Bloise, que estava levando seu filho de 5 anos para uma consulta com a pediatra.
"Não dá mais para morar nessa região, assim que eu puder vou mudar com a minha família daqui", disse. "Foi horrível, depois que o ladrão deu o primeiro tiro, a médica ainda teve forças para abrir a porta do carro e sair", disse outra testemunha, o vigilante Fernandes Benetton. "Ela caiu no chão e ainda foi disparado um outro tiro". Socorro - Como não havia condições de atendimento no posto, que possui apenas três médicos por período e abre das 7 às 19 horas, a vítima foi levada para o Hospital Municipal de Itaquera, onde morreu ao dar entrada. "É duro conviver com essa violência, o medo que nós temos de vir trabalhar é o mesmo medo que toda a população está sentindo em São Paulo", afirmou a coordenadora do posto, Marisa de Almeida da Fonseca. No dia de hoje, o posto permaneceu fechado.
O caso foi registrado no 103.º Distrito Policial, de Itaquera. Segundo a polícia, uma pessoa cujo o nome não foi revelado, viu a foto do menor na delegacia e informou que a imagem era parecida com um dos assaltantes. "Estamos investigando o caso, mas ainda é cedo para apontar o Baianinho como acusado; por enquanto ele é apenas um suspeito", disse o delegado Kleber Santana de Azevedo. O suspeito foi parar na Febem por ter sido acusado de ter cometido, pelo menos, dez homicídios na região.


