Aqui, é preciso reforçar a figura do pai. Ali, a mãe ocupada é quem faz falta. Acolá, o problema é o casal que não se acerta mais. Quando o assunto é família, há tantos casos diferentes que é impossível estabelecer regras. ''Não existem fórmulas mágicas para resolver uma crise familiar'', avisa o pediatra e terapeuta Renato Mikio Moriya, 45 anos.
O especialista abriu ontem a programação de palestras da 12 Semana da Mulher, promovida pela Prefeitura de Londrina. Sob o tema ''O ciclo de vida da família'', Moriya discutiu problemas da família moderna, como a falta de disponibilidade dos pais em relação aos filhos, geralmente atribuída à sobrecarga de trabalho fora de casa. A palestra será reprisada amanhã, às 10 horas, no auditório da Caixa de Assistência, Aposentadorias e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml), no Jardim Piza (Zona Sul).
Especializado em Terapia de Casal e de Família, o pediatra sustenta o resgate da presença dos pais. Ele ressalta que as babás não substituem o cuidado materno, e que até mesmo essas profissionais se sobrecarregam de atribuições. ''O ideal seria a presença constante da mãe biológica pelo menos nos três primeiros anos de vida do filho. Mesmo se os pais trabalham, é importante que reservem um tempo só para cuidar da criança, para que ela não se sinta relegada a quarto plano'', destaca.
Moriya pondera que as crises fazem parte da evolução da família, e podem ser normais desde que se saiba lidar com elas. Nesse sentido, o pediatra defende a terapia familiar como forma de trazer à luz os problemas para encontrar soluções. ''Os problemas são reflexo de tudo o que acontece na vida de cada membro e da família como um todo. O terapeuta ajuda a desvendar toda essa situação'', diz. A exemplo da terapia individual, a dinâmica familiar é realizada em consultório, na forma de diálogo. Segundo Moriya, todos que exercem influência sobre o sistema familiar são convidados a participar da terapia. ''Isso pode incluir um amiguinho do filho ou até o cachorro'', acrescenta.

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