Brasília, 16 (AE) - Espirros, coriza, entupimento e coceira nasal recorrentes nem sempre são sintomas de gripe. A criança pode estar com alergia respiratória ou a algum alimento. "Gripe dá febre e dor no corpo", avisa o pediatra Wellington Borges, presidente do VII Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia em Pediatria que começa domingo em Brasília. "Muitos pais confundem alergia com gripe de repetição", diz Borges. Ele explica que crianças alérgicas têm mais propensão em adquirir a doença, assim como aquelas expostas a poeira, ácaros e mofos mais chance de desenvolver alergias.
A alergia respiratória manifesta-se em forma de rinite (congestão nasal, espirro, coceira e coriza), conjuntivite (inflamação e coceira nos olhos) e asma (tosse, chiado no peito e falta de ar). Segundo Borges, a alergia respiratória é mais comum que a alimentar cujos efeitos são distúrbios gastro-intestinais, como diarréia, vômito e dores abdominais, e ainda por urticária na pele.
Leite - Ao contrário do que se costuma dizer, o leite não é o grande vilão das crianças alérgicas, garante o pediatra do setor de alergia e imunologia do Hospital de Base de Brasília. Borges diz que 15% a 20% da população são alérgicos e o leite é responsável por, no máximo, 2% dos casos. Na opinião dele, essa incidência deve-se ao fato de o leite de vaca ser o primeiro alimento dado ao bebê quando deixa de ser amamentado. "Provavelmente, o intestino não está maduro para receber o alimento", analisa. Nesse caso, avisa, a melhor alternativa é prolongar o aleitamento materno.
Depois do leite, os alimentos que mais frequentemente provocam alergias são o ovo, a farinha de trigo, soja e pescado. Os cinco juntos provocam 85% das alergias alimentares, segundo o pediatra. Para descobrir qual é a causa da alergia, o pediatra recomenda que se suspenda por dois meses o alimento e depois reintroduza-o no cardápio. É bom fazer o teste com cada produto por vez para não confundir o resultado.
O pediatra garante ser praticamente impossível uma pessoa ser alérgica a todos esses alimentos. "A alergia é um fenômeno muito inteligente, como uma chave que abre uma única fechadura". Segundo ele, é comum alergia a um produto, excepcional a dois ao mesmo tempo e raramente a três. O tratamento é simples. "Não precisa tomar remédio, basta retirar da alimentação a substância que causa a alergia", diz. Limpeza - A solução também é mais simples do que se imagina nos casos de alergia respiratória. "Deve-se manter o ambiente limpo", recomenda o pediatra. O chão deve ser limpo com pano úmido. Passar aspirador de pó diariamente em casas com carpetes; o vaporeto é ainda mais eficaz. Entre as medidas de profilaxia ambiental, Borges ainda cita que se deve encapar colchões e travesseiros com material impermeável, como plástico ou napa. "Os ácaros gostam de ficar em lugares quentes e perto do corpo humano", explica. Ele sugere que se troque os cobertores de lã ou de chinil por colchas de piquê ou algodão, que podem ser lavadas semanalmente.
Umidade do ar baixa é benéfica para os alérgicos respiratórios. "Quanto mais úmido, mais ácaro, mais mofo e mais bactérias", justifica Borges. Ele conta que pesquisa feita nas fichas dos 62 mil pacientes atendidos pelo Hospital Materno-Infantil de Brasília no ano de 1995 mostrou um aumento dos doentes entre abril e maio, fora do período da seca que começa em agosto. O pediatra explica que o vírus da gripe é o principal fator desencadeante da asma. Esse hospital público, referência no tratamento de crianças em Brasília, atende 400 crianças por mês normalmente, mas em abril e maio esse número subiu para 1,5 mil. Infecção - O congresso brasileiro de alergia vai até o dia 21. Estão inscritos 600 profissionais que passarão o dia assistindo a aulas dadas por 50 professores brasileiros e 15 estrangeiros convidados. Diariamente, às 17 horas, o seminário será aberto para os pais e interessados. Em cada dia será tratado um tema, como asma e alergia alimentar. Os organizadores aproveitarão o encontro também para falar sobre a criança que vive doente. Borges aconselha os pais a evitarem aglomerações quando a criança vive doente. O pediatra explica que até os quatro anos de idade a criança está desenvolvendo o sistema imunológico e, portanto, nesse período de deficiência transitória é importante evitar supermercados, shoppings, recintos fechados e até mesmo escolas e procurar frequentar locais abertos, como parques e zoológicos. Segundo Borges, a criança que com frequência tem otites, amidalites entre outras infecções devem ser acompanhadas para não tomar antibióticos em excesso.

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