São Paulo - A secretária do pediatra Eugenio Chipkevitch, Regina Célia Brasil Corrêa, identificou ontem 7 dos 35 pacientes que aparecem nas fitas que mostram seu patrão abusando sexualmente de adolescentes. Segundo o delegado titular do 51.º Distrito Policial (Butantã), Virgílio Guerreiro Neto, a análise das gravações entregues à polícia revelou que o pediatra molestava pacientes pelo menos desde 1995.
Os pais de dois dos pacientes identificados pela secretária garantiram que vão autorizar o Ministério Público Estadual (MPE) a processar Chipkevitch. A polícia está ouvindo famílias das vítimas em outros DPs, para preservá-las.
O promotor José Carlos Blat disse que pretende separar das imagens apenas o rosto dos pacientes, para evitar que os parentes a serem ouvidos de agora em diante vejam as cenas de abuso. Esse trabalho deve terminar entre amanhã e quarta-feira.
Também estiveram hoje no 51.º DP o técnico em telefonia que encontrou as fitas, Cristiano Gustavo, e outra funcionária da clínica do médico, Aparecida Tomás Avelar. Aparecida contou à polícia que Chipkevitch pediu-lhe que guardasse a câmera. Na noite de anteontem, ela foi buscar o equipamento em sua casa para entregá-lo aos policiais. De acordo com o delegado-assistente do DP, Pedro Luiz Porrio, o pedido do médico foi feito na quinta-feira e a funcionária não sabia do que ocorria na clínica.
Perícia - Pela manhã, a polícia fez nova busca na casa de Chipkevitch e apreendeu um computador, uma impressora, fitas de vídeo e um tripé. Todo o material já recolhido deve ser enviado ao Instituto de Criminalística (IC) para perícia nos próximos dias.
Guerreiro negou que a polícia ainda esteja investigando a ligação de Chipkevitch com uma rede internacional de pedofilia. ‘‘Isso, com certeza, está descartado’’, garantiu o delegado.
O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) deu entrada em pedido de liminar para tentar suspender o registro profissional de Chipkevitch. O pediatra já constituiu advogado, identificado apenas como Paulo César pela polícia.

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