Quem é de Campo Mourão já está acostumado, mas quem vem de fora se impressiona com o respeito dos motoristas da cidade pelos pedestres nas faixas de segurança. Também não passa despercebido a inexistência de semáforos na área central de Campo Mourão. Ironicamente, os únicos ‘‘sinaleiros’’ da cidade ficam na via rápida e numa das rodovias de acesso.
Mas nem sempre foi assim. Até a década de 1970, o centro era repleto de semáforos. Eles foram retirados, apesar de alguns terem voltado no final dos anos 80. A partir de 1993, porém, remodelações no perímetro central eliminaram de vez os ‘‘sinaleiros’’. No lugar deles, a prefeitura construiu ilhas e rotatórias nas esquinas. Todas cheias de flores.
Além de embelezar as ruas da cidade, as rotatórias facilitam o tráfego e obrigam os veículos a reduzir a velocidade quando se aproximam dos canteiros. Os velhos semáforos tinham uma manutenção cara e se tornavam ociosos nos horários de pouco movimento. Os ‘‘sinaleiros’’ também falhavam na missão de impedir a invasão das faixas de segurança.
No trecho do calçadão da Avenida Capitão Índio Bandeira, a principal da cidade, as cenas de carros parados a espera de pedestre cruzando a faixa é comum. O respeito às faixas é bem menor – quase inexiste – em outras esquinas mais afastadas do centro. Para a Polícia Militar, a menor velocidade usada pelos carros no calçadão facilita esse respeito às faixas.
Campo Mourão tem 22.700 automóveis e uma média de dois acidentes por dia. O problema do excesso de velocidade foi contido pela PM no ano passado com severas blitze diárias e aulas de ‘‘castigo’’ todas as noites para quem fosse flagrado andando acima do limite permitido. Hoje, segundo a Polícia Militar, o problema que mais preocupa é o aumento no número de motoristas que andam pela cidade sem a carteira de habilitação. (Sid Sauer, de Campo Mourão)

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