Pedem a retirada da candidatura de Fujimori17/Mar, 20:32 Lima, 17 (AE-AP) - Dois prefeitos e congressistas opositores pediram ao presidente Alberto Fujimori para retirar sua candidatura a um terceiro mandato consecutivo, diante do escândalo causado pelas denúncias de falsificação de assinaturas para inscrevê-lo nas eleições de 9 de abril. Dois jornais de oposição dedicaram hoje suas primeiras páginas ao caso. "Que Fujimori renuncie", disse o La República. "Quem tem de partir é Fujimori", disse o Liberación. O guatemalteco Eduardo Stein, chefe de uma missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos, disse que a denúncia de uma suposta falsificação de assinaturas a favor da candidatura de Fujimori "é verdadeiramente grave e compromete a credibilidade do processo eleitoral". O congressista Javier Alva, do Partido Acción Popular, do ex-presidente Fernando Belaunde, disse que "pela saúde da República o presidente Fujimori deve renunciar a sua controvertida candidatura à outra reeleição". O também congressista César Zumaeta, do Partido Aprista Peruano, do ex-presidente Alan García, disse que "por uma questão moral, ética e jurídica, Fujimori deve ser o primeiro a renunciar a sua candidatura . Assim como também devem ser demitidos o assessor do mandatário Absalón Vásquez, o ex-chanceler Francisco Tudela e mais da metade dos 120 candidatos ao congresso da Aliança Peru 2000". O jornal A República disse em um editorial que "a única saída possível para a monumental crise política que este governo autocrático incuba com sua obstinação... é a renúncia de Fujimori a uma candidatura ilegal". A constituição estabelece que o presidente pode ser reeleito imediatamente para um período adicional e que transcorrido outro período constitucional, como mínimo, o ex-mandatário pode candidatar-se novamente. Fujimori foi eleito em 1990 e reeleito em 1995. O prefeito independente de Arequipa, Juan Guillén, em uma carta a Fujimori divulgada pela imprensa, afirma que o Perú enfrenta o risco de desmoronamento moral e institucional, e invoca o presidente a "elevar-se à categoria histórica de grande estadista que espera o país e retirar sua candidatura, promovendo um processo eleitoral absolutamente impecável, livre das mais insignificantes suspeitas". Arequipa, depois de Lima, é a segunda cidade mais importante do país. Tudela, candidato a vice-presidência na coalizão Peru 2000, de Fujimori, disse que ele é convidado da dita aliança e que não vai retirar sua candidatura e que, pelo contrário, será perseverante. Fujimori não respondeu até agora aos pedidos. O Tribunal Superior Eleitoral aceitou ontem a retirada das eleições de Peru 2000, um dos quatro grupos que patrocinam a candidatura de Fujimori, e também a renúncia do congressista oficialista Oscar Medelius e do procurador da aliança Daniel Chuan, das candidaturas ao Congresso. Ambos foram envolvidos na denúncia de falsificação das assinaturas. O prefeito de Lima Alberto Andrade, candidato presidencial do movimento independente Somos Peru, aludindo à renúncia de Medelius e Chuan, disse que no Peru 2000 sacrificaram "dois peões, mas o rei (Fujimori) não caiu, não renunciou. Ele deve pagar o pato". Um funcionário eleitoral de Arequipa, Rubén Calderón, implicado na falsificação, foi despedido. O Tribunal Eleitoral, considerado pela oposição como comprometido com o governo, disse que a retirada do Peru 2000 não afeta a candidatura de Fujimori, porque está apoiada por outros três grupos. O caso da suposta falsificação massiva de assinaturas foi denunciado pelo jornal independente El Comercio. Duas testemunhas que afirmam ter sido contratadas pelo Peru 2000 para falsificar as assinaturas, colocaram-se à disposição da justiça, amparados por grupos defensores dos direitos humanos.

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