Curitiba - O curitibano Roberto Coelho, de 50 anos, participa de uma prova de ciclismo com percurso de 200 quilômetros, o Audax, em Porto Alegre, no próximo domingo. Até aí, nada incomum. Diferente mesmo é a disputa de um desafio de resistência em longas distâncias e duração ao lado de um mal que, com o tempo, tornou-se um 'parceiro': a doença de Parkinson.
''Quero mostrar que é possível tornar o Parkinson um aliado. Quanto mais você luta contra isso, você sofre. Você precisa aceitar que aquilo vai estar com você o resto da vida'', conta o ciclista, que pedala para amenizar os danos físicos e psicológicos causados pela doença degenerativa.
Coelho nasceu em Curitiba, teve infância e adolescência como um garoto qualquer e somente percebeu problemas na saúde aos 25 anos. ''Fui nadar, pulei na piscina e não consegui. Achei estranho porque sei nadar bem. Senti lentidão nos movimentos e rididez muscular, então resolvi procurar um médico. Ele fez vários exames e eliminou possibilidades. Então descobriu que eu tinha a doença de Parkinson'', lembra.
''A doença é uma síndrome ataca vários órgãos. No início, tive um momento de euforia, porque depois de três dias voltei a andar normalmente de novo. Mas depois veio a fase da depressão... Perguntei: 'Isso vai até quando' e então fui só piorando.'' Na fase inicial, é comum as pessoas com o diagnóstico da doença entrarem em depressão, o que pode acabar se prolongado até os estágios finais do paciente.
Superação - Depois de um tempo em depressão, Roberto Coelho lembra que encontrou em uma conversa com um desconhecido, numa padaria, a motivação para vencer a doença. ''Encontrei um desses caras que você bate papo e não sabe o nome. Ele me perguntou porque eu estava mal e, aquilo, que estava entalado na garganta, acabei contando. Então ele me disse algo que guardo até hoje e que me guia: 'Olha, não interessa o quanto vai ter de vida ativa. O que importa é fazer o que quer enquanto pode'.''
A partir daí, Coelho passou a seguir o conselho do desconhecido. Formado em Desenho Industrial, casou-se, teve três filhos. Mais tarde, mudou-se para os Estados Unidos, onde começou a pedalar. ''Teve um dia que comprei uma bicicleta, por curiosidade. Depois disso, de volta ao Brasil, comecei a participar de e organizar eventos e a pedalar mais'', conta. O ciclista organiza pedalada noturna em Curitiba, todas as quintas-feiras, a partir do Largo da Ordem.
Atualmente, Coelho deixou de desempenhar o cargo de designer para se dedicar à sua bicicletaria, no bairro Água Verde, e aos filhos, que agora somam cinco. E continua pedalando, ao lado de 'Parkinson', normalmente. ''Tenho limites físicos, jamais vou me igualar a um profissional. Mas me sinto ótimo. O grande lance é manter a cabeça ocupada e considerar a doença um parceiro seu, aprender a conviver com ela'', comenta.

mockup