Londrina - ''Se eu tivesse me conscientizado sobre o mal que a droga faz, não teria experimentado.'' A declaração partiu de um dos voluntários da 10 edição da Pedalada Contra as Drogas, evento realizado na manhã de ontem em Londrina. O engenheiro agrônomo Fernando Marçon Minucci, de 35 anos, revelou que passou a consumir drogas na época em que conseguiu um emprego em uma multinacional.
Com o salário alto que recebia, Minucci acabou se tornando viciado em cocaína e posteriormente em crack. Perdeu o emprego e, devido ao vício, ficou um ano e meio sem trabalhar. Há sete anos ele conseguiu abandonar o consumo das substâncias psicoativas. O trabalho voluntário na pedalada foi uma forma de ajudar a campanha de conscientização contra um mal do qual foi vítima. ''O grande problema da droga é experimentar. Por isso acho importante a pessoa se conscientizar dos problemas que ela provoca, para que nem comece a usar.''
Segundo dados da organização do evento, cerca de 800 pessoas participaram do evento este ano. A partida aconteceu na Avenida Madre Leonia Milito e terminou em frente ao Colégio Universitário, totalizando um percurso de cerca de quatro quilômetros. O organizador da pedalada, Gervásio Gonzales, afirmou que a chuva que caiu antes do evento espantou um pouco as pessoas, mas durante o percurso nenhuma gota caiu do céu.
Gonzales revelou que os dez anos de pedalada já estão gerando frutos, pois as crianças que tinham sete anos no primeiro evento já estão com 17 anos e conscientizadas contra a dependência química. ''Tenho certeza que por terem levado seus filhos para aquele primeiro evento, os pais 'vacinaram' aquelas crianças contra as drogas'', argumentou.
Os jovens Luigi Vaccaro, 10, e Mateus Jokowski, 13, estavam entre os mais empolgados com o passeio ciclístico. Eles absorveram a mensagem sobre os malefícios da dependência química e destacaram a importância do esporte para combater o problema. ''Essa pedalada ajuda a passar a ideia de que a pessoa pode andar de bicicleta ou de skate em vez de usar drogas'', afirmou Mateus.
Para alguns pais o passeio ciclístico também foi importante para ensinar noções de civismo. O cirurgião dentista Luiz Fernando Coutinho Faria, 48, pai de Stela, 12, declarou que não é só a mensagem contra as drogas que é importante. ''Eu estou mostrando para a minha filha a importância de participar de eventos da cidade, pois atualmente todo mundo reclama e ninguém faz nada. Acho isso importante na formação de um cidadão'', declarou.
O evento também foi uma forma de coletar doações e angariar recursos para financiar a compra de ingredientes para o sopão solidário, mantido por um grupo de voluntários da Igreja Metodista Central. Toda segunda-feira eles se reúnem no centro da cidade para distribuir a sopa para moradores de rua.
''Por meio do sopão nós também conseguimos realizar um trabalho de conscientização sobre o problema que atinge essas pessoas que não possuem moradia'', afirmou Paulo Fernando Cerqueira, vocalista da banda que executa músicas durante a distribuição do alimento. Ao todo foram coletados 500 quilos de alimento e cerca de R$ 120. Ao final do percurso os participantes se reuniram na quadra do colégio Universitário, onde concorreram ao sorteio de uma TV e de bicicletas.

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