As tarifas de pedágio no Paraná estão tendo reajustes acima dos índices concedidos às classes trabalhadores do Estado. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de 1998 a 2001 as concessionárias obtiveram variação média do preço na cancela de 43,74%. No mesmo período, o reajuste salarial entre julho de 1998 a outubro de 2001 não passou de 22%, baseado no Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A diferença de percentual, que é quase o dobro, foi baseada no valor inicial, adotado em contrato e aplicado em junho de 1998. Mas, o economista do Dieese, Sandro Silva, afirmou que se fosse usada o valor da tarifa reduzida (que diminuiu em julho daquele ano, por determnação do governador pefelista, Jaime Lerner), a diferença entre o aumento da tarifa seria três vezes superior. ''Na média, o pedágio teria subido 150%'', disse.

O economista Sandro Silva disse que a diferença de reajustes acontece porque as concessionárias firmaram acordo favorável a elas. Para fins de reajuste, o governo estadual adotou o maior índice de mercado. ''O IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado da Fundação Getúlio Vargas FGV) tem sido o indexador da maioria das concessões que foram privatizadas, como a das telecomunicações'', destacou.

Por causa dessa característica, o economista explicou que os trabalhadores estão sempre correndo atrás das tarifas públicas. ''O IGP-M leva em conta também as variações que indústria tem por causa de oscilações cambiais'', disse.

O economista prevê que, neste ano, os índices vão registrar as crises econômicas como a da Argentina e a energética. ''Mas o INPC será menor que o IGP-M'', avisou. A estimativa é que o INPC fique entre 8% a 9% quando IGP-M deve alcançar valor de 10% a 12%. O economista considera que um reajuste da tarifas este ano de até 12% deve pesar no bolso dos trabalhadores.

''O trabalhador está perdendo o poder aquisitivo, porque os preços administrados estão abocanhando o salário dele '', disse, referindo-se às tarifas da água, luz, telefonia e pedágio. Além disso, ele afirmou que desde a implantação do plano real os trabalhadores vêm perdendo poder de compra.

Até agora, o governo não anunciou oficialmente em quanto vai aumentar a tarifa. Mas extra-oficialmente, o índice deve variar entre 9% a 12%.

Projeções de funcionários das concessionárias já apontam em um reajuste médio de 10%. O percentual ainda não está definido porque depende das divulgações de índices, como o IGP-M. O indexador será divulgado pela Fundação Getúlio Vargas no próximo dia 15, junto com outros que compõem a tarifa de pedágio.

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