A partir de amanhã, todos os motoristas que trafegarem em rodovias pedagiadas vão ter que desembolsar mais em cada uma das 26 cancelas do Anel de Integração. Na média, o governo do Estado reajustou as tarifas em 16,46% para os automóveis e 20,48% para caminhões. Mas há casos em que o aumento chega a 17,95% (carros) e 22,67% (caminhões). Os indíces ficaram dentro do que a Folha vinha divulgando desde o dia 8 deste mês. O aumento, que corresponde à inflação acumulada no período de 18 meses, provocou revolta entre representantes de vários segmentos (ver texto abaixo). A medida deverá causar uma grande dor de cabeça para o governador Jaime Lerner (PFL).
Com o aumento, os caminhoneiros prevêem que vão gastar mais com as tarifas do que o abastecimento de combustíveis. Para se ter uma idéia, um motorista de um carro que sai de Foz do Iguaçu e segue até Paranaguá (trecho onde existem dez praças de pedágio) vai desembolsar R$ 36,80 a partir de amanhã, contra os R$ 30,60 gastos até hoje. Nesse trajeto, o reajuste médio é de 20,26%.
Somente na praça da Ecovia, que administra a estrada que liga Curitiba ao Litoral, a tarifa passará de R$ 4,30 para R$ 5,20 para automóveis. Já os caminhões pagarão R$ 4,40 por eixo. O valor atual é R$ 3,60.
Esses aumentos, de acordo com diversas entidades consultadas pela Folha vão encarecer o custo de produção do Paraná. Apesar disso, esse componente não foi levado em conta pelo governo do Estado. Desta vez, Lerner preferiu cumprir o que determina o contrato firmado com as seis concessionárias, evitando assim um confronto direto com elas.
A decisão de não entrar em confroto foi baseada na experiência frustrada de junho de 1998. Na época, o governador, que era candidato a reeleição, cedeu à pressão popular e reduziu pela metade o valor do pedágio. Mas o governo acabou sendo obrigado pela Justiça, em janeiro deste ano, a voltar atrás e a recompor os valores. Em março, acordo entre governo e concessionárias estabeleceu aumento de 112% para automóveis e de 76,13% para caminhões.
Em abril, o governo ainda concedeu um abatimento para os caminhoneiros, por causa da pressão feita e que resultou no bloqueio de estradas do Estado. O Paraná se tornou o único Estado a manter tarifas diferenciadas para automóveis e caminhões.
Agora, o governo recorre ao argumento de que o reajuste ficou abaixo da inflação medida em três anos de pedágio. No mesmo período, a inflação medida pelo IGP-M foi de 44,54%. O salário mínimo subiu 34,82% (de R$ 112,00 para R$ 151,00). E o óleo diesel foi aumentado em 74,55%.
O índice de correção do pedágio paranaense é resultado da aplicação de uma fórmula que inclui uma cesta com 12 índices da Fundação Getúlio Vargas, que medem a variação de custos de pavimentação, construção, terraplenagem e até a inflação do IGP.

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