Curitiba- A rebelião que culminou na morte de sete adolescentes há uma semana no Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), teria começado por causa de brigas de grupos rivais. A informação, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública, veio do depoimento de três meninos que testemunharam os assassinatos e foram ouvidos pelo delegado Germino Marques Bonfim Filho, da Delegacia de Piraquara. O delegado também teria apurado que sete meninos são os responsáveis pelos crimes.
De acordo com a secretaria, o delegado Bonfim Filho apurou que existe um grupo de meninos de Curitiba e de Londrina e outro de adolescentes do resto do Estado que são rivais. O primeiro grupo cobrava uma espécie de ''pedágio'' do segundo. E como um garoto que ficava na ala A (onde supostamente começou a rebelião) não quis mais pagar, foi transferido para a ala B para evitar confusão. Porém, segundo a polícia, ele esqueceu um rádio do lado A e quando dois educadores foram buscar o aparelho os garotos tentaram fazê-los reféns.
Os educadores chamaram reforço da Polícia Militar (PM) quando os meninos da ala A começaram a quebrar grades e portas. Eles conseguiram fugir e foram até a ala B ''pegar'' o menino transferido, informou a secretaria. Os adolescentes da ala B teriam conseguido segurar as portas e evitar a invasão. Contudo, no caminho de volta os garotos da ala A teriam matado um interno que estava em cela separada, como forma de castigo. Isso revoltou os meninos da ala B e iniciou a briga.
A Secretaria de Segurança não soube informar se os educadores sabiam da questão do ''pedágio''. A Folha não conseguiu falar com o delegado porque ele iria ficar até a noite ouvindo depoimentos. Há dois dias, a Promotoria de Investigação Criminal (PIC), que também está apurando o caso, divulgou que alguns adolescentes denunciaram maus-tratos pelos educadores. A PIC informou que deve ter os resultados das investigações no final da semana que vem.

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