PEDÁGIO PODE SUBIR ATÉ 18%
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quinta-feira, 23 de novembro de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
A novela em torno do reajuste do pedágio vai se encerrar na próxima semana. O valor final do aumento das tarifas será fechado a partir de terça-feira, quando os últimos ajustes da nova tabela de preço serão concluídos. Assim, o governador Jaime Lerner (PFL) poderá bater o martelo sobre o assunto e fazer o anúncio. O aumento não será linear, variando conforme cada praça. No cálculo, serão adicionados resíduos deixados no último reajuste, ocorrido há quase 10 meses. Na época, arredondaram os preços para aumentar as tarifas que haviam sido congeladas pelo governo estadual. A previsão agora é que o aumento varie entre um índice de 13% até 18%, conforme a localização das cancelas.
Esse aumento já está pré-estipulado entre o governo estadual e as concessionárias. Nas últimas duas semanas, o secretário interino dos Transportes, Wilson Justus, e representantes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) vinham se reunido com os representantes das concessionárias. Ontem, eles tiveram uma reunião que fechou os últimos detalhes.
Em função da definição dos índices, o governo já está se preparando para lançar uma campanha para esclarecer e preparar a população com relação ao reajuste. Hoje, os jornais trazem anúncios informando sobre as vantagens do vale-pedágio. Esse dispositivo faz parte da estratégia do governo amenizar a reação negativa, em especial dos caminhoneiros, que já sinalizaram contrários ao um reajuste. A campanha foi desenvolvida pela agência de Publicidade Get.
Segundo explicação de técnicos do DER, que preferem não se identificar, nos encontros entre as concessionárias e governo estadual, foram estabelecidos que as tarifas vão acompanhar o índice inflacionário acumulado em um ano. Somente o IGPM, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), registra 13,57% durante o período de 12 meses. Esse indicativo faz parte da fórmula de cálculo de reajuste. Outros componentes que foram utilizados no cálculo do reajuste foram as médias anuais dos custos de terraplenagem, pavimentação, obras especiais, construção civil, consultoria rodoviária e o Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM).
Técnicos do DER contam que outro ponto definido na mesa de negociação foi com relação ao cumprimento do contrato. Nas negociações, foi preciso convencer alguns secretários do governo estadual a não encampar a proposta de descumprir o contrato. Eles explicam, que caso tivesse quebrado o acordo, o governo acabaria sofrendo uma derrota na Justiça, já que essa medida seria juridicamente indefensável.
Outro tema descartado, nas conversações entre concessionárias e governo estadual, foi a mudança nos cronogramas de obras. Apesar dessa proposta permitir um reajuste menor das tarifas, sem prejudicar o equilíbrio econômico e financeiro das empresas, politicamente seria negativo, já que importantes duplicações poderiam ser canceladas.
Em março deste ano, as concessionárias assumiram o compromisso de duplicar 242 quilômetros de rodovias e restaurar outros 776 quilômetros até o final de 2002, o que vai significar um investimento total de R$ 707 milhões.(Colaborou Kátia Michele)


