Pedágio na fronteira gera revolta em agentes de turismo
Valmir Denardin
Enviado a Puerto Iguazú
Donos de agências de viagens de Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú protestaram ontem na Ponte Tancredo Neves (que liga o Brasil à Argentina), contra a cobrança de pedágio de veículos turísticos estrangeiros, instituída pelo governo argentino. A medida, criada por meio de uma resolução federal, entrou em vigor no último final de semana, em todas as fronteiras do país.
A taxa é cobrada de táxis (3 pesos, o equivalente a US$ 3,00), kombis e vans (5 pesos) e ônibus turísticos (10 pesos), todas as vezes que esses veículos passam pelas aduanas. Ontem, o dólar estava cotado na fronteira em R$ 1,93. A cobrança é feita todas as noites, das 19 horas às 7 horas; aos sábados, a partir das 12 horas; e aos domingos e feriados, durante o dia todo.
O dinheiro arrecadado é destinado ao pagamento de horas extras dos funcionários das aduanas. O setor privado está pagando o salário do setor público, ironizou o empresário Nelson Mariani, diretor regional da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) em Foz do Iguaçu.
Segundo ele, agências de médio e grande porte da cidade gastaram no último final de semana até R$ 2,3 mil no pagamento da taxa. Veículos das empresas costumam cruzar a fronteira para levar turistas principalmente ao lado argentino das Cataratas, ao Marco das Três Fronteiras e ao cassino de Puerto Iguazú.
Todos os meses, são cerca de 140 mil viagens, transportando mais de 80 mil turistas. O gasto mensal das 350 agências que atuam em Foz com o pedágio pode ultrapassar US$ 1 milhão. A Abav vai enviar um pedido ao Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur) para que o governo brasileiro negocie com o argentino a revogação da medida.





