São Paulo, 29 (AE) - A partir de janeiro de 2000, quem trafegar pelas principais rodovias de São Paulo poderá optar entre o pedágio manual e a cobrança eletrônica. Sintonizado com a nova era digital, o motorista não precisará mais parar na cabine de pedágio. O pagamento será feito antes ou depois da viagem, na chamada rodovia inteligente.
Essa modernização é possível porque as concessionárias das rodovias fizeram investimentos na instalação de cabos óticos nos últimos anos. Além do pedágio eletrônico, toda a rede de comunicação das rodovias será de alta-velocidade permitindo, por exemplo, que o detector das condições atmosféricas acione automaticamente o painel de mensagens para informar sobre trechos de neblina ou chuva forte à frente.
As medidas estão sendo adotadas por todas as concessionárias em cumprimento aos contratos firmados com o governo paulista ou a administração federal para exploração das rodovias.
Para implantar o pedágio eletrônico no Estado, as concessionárias selecionaram uma tecnologia padrão, depois de dez meses de testes. Com uma só tecnologia, o motorista poderá trafegar pelas rodovias paulistas e utilizar os pedágios eletrônicos indiscriminadamente. "A escolha tecnológica não é de âmbito nacional, mas, obviamente, pela importância de São Paulo, tem como se tornar o padrão brasileiro", afirmou o coordenador técnico da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), Gil Guedes.
A tecnologia da norueguesa Q-Free consiste numa etiqueta do tamanho de um cartão de crédito, a "tag", que será colada no pára-brisa, ao centro e no alto, identificando cada veículo a partir de um número que será utilizado para debitar o valor do pedágio numa conta a ser enviada mensalmente ou para descontar créditos no caso do pré-pago. Um antena situada em cada cabine do pedágio eletrônico fará a leitura da etiqueta à distância.
O motorista não terá que parar no pedágio, mas vai desacelerar o veículo para 40 Km por hora, enquanto é dado o sinal verde e a cancela, levantada. A tecnologia permite velocidades mais altas, até 170 Km, mas as concessionárias sugeriram um limite inferior por precaução. Mesmo em alta velocidade, o equipamento consegue fazer a leitura diversas vezes da "tag" para checar a sua autenticidade - descolada do pára-brisa, ela perde a validade. O motorista que aderir à nova tecnologia vai receber um manual de procedimentos.
Segundo o diretor operacional da Autoban, Flávio Berthoud, no pagamento manual do pedágio gasta-se, em média, 13 segundos. "Com a nova tecnologia, o motorista não chega a parar
aliviando eventuais filas nos pedágios", disse. O diretor operacional da Ecovias, Valdir Moreira, informou que, à velocidade de 40 Km, passarão pelo pedágio eletrônico entre 1.400 e 1.500 veículos por hora.
As concessionárias já importaram 50 mil "tags", ao preço de US$ 25 cada, o que dá cerca de R$ 50. Mas a expectativa é que um milhão de motoristas adote a nova tecnologia no prazo de um ano - ou dois, no máximo. Segundo a Q-Free, o potencial é de dois milhões de "tags" em três anos no Estado. A empresa norueguesa vai fechar contratos com as nove concessionárias de rodovias de São Paulo numa primeira fase, instalando o pedágio eletrônico em 175 pistas. Outras permanecerão com a cobrança manual. Para atender a esse mercado, a Q-Free montou uma fábrica em Sorocaba.
O que falta definir - e está provocando um pequeno atraso na previsão inicial de 16 de dezembro para inauguração dos pedágios eletrônicos - é quem vai operar a contabilidade do novo serviço. As concessionárias não querem assumir esse tipo de atividade financeira que é alheia ao seu negócio principal. Apenas no primeiro semestre do ano, a receita com pedágios nas nove rodovias do Estado já operadas pelas concessionárias foi de R$ 350 milhões.
A disputa está entre as parcerias Mastercard/Itaú e Visa/Bradesco. A escolha de um ou outro grupo depende ainda das condições que oferecerem para o pagamento parcelado da "tag", segundo diretores das concessionárias. A prestação deve ficar perto dos R$ 3,00.
O que já está decidido é que a instituição encarregada da compensação da receita dos pedágios eletrônicos será responsável pela inadimplência, informou Berthoud. O banco que venha a conseguir o contrato com as concessionárias poderá utilizar a sua rede para vender as "tags" com contratos que prevêm o débito mensal antecipado de uma quantia estimada com base na frequência de uso do pedágio - o serviço pré-pago.
A alternativa é o pós-pago, com o recebimento em casa de uma conta mensal de pedágio ou ainda cobrança no cartão de crédito. Segundo a Q-Free, esse sistema de cobrança vai possibilitar também, no futuro, o comércio eletrônico para o grupo de consumidores formado pelos usuários das "tags". O grupo financeiro que assumir a compensação do pedágio eletrônico poderá utilizar as "tags" como meio de divulgação publicitária.
A vida útil da "tag" é de cinco anos. Quando estiver ao final do prazo, uma luzinha (led) amarela acenderá. A "tag" poderá ser recarregada nas cabines de pedágio. Para o diretor operacional da Autoban, o pedágio eletrônico vai se popularizar tanto que os automóveis saírão de fábrica com a "tag" instalada.
Na Argentina, o sistema de pedágio eletrônico existe nas vias de acesso a Buenos Aires. A expectativa de atingir 10% dos usuários foi superada, chegando a 25% dos motoristas antes mesmo de as "tags" começarem a ser comercializadas. Mas os argentinos têm que utilizar duas ou três "tags" porque não houve padronização da tecnologia, segundo Moreira. "Não existe em lugar nenhum do mundo essa interoperabilidade que se está buscando no Estado", afirmou.
Em São Paulo, a Marechal Rondon adotou no início do ano a tecnologia americana da Raytheon de pedágio eletrônico, que terá que ser substituída, porque o governo paulista estabeleceu o padrão CEN-DSCR da Q-Free para todo o Estado. Segundo diretores das concessionárias, o volume de usuários das "tags" na Marechal Rondon ainda é muito pequeno, mas os 500 ou 600 usuários serão ressarcidos.

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