Goiânia, 13 (AE) - Um pedaço de orelha que supostamente pertenceria ao compositor Wellignton José de Camargo, irmão dos integrandes da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano, sequestrado desde dezembro, foi deixada hoje pela manhã no jardim da entrada principal da TV Serra Dourada, em Goiânia. Às 6h15 da manhã, o porteiro Rondinelli recebeu um telefonema anônimo, informando sobre o pacote mórbido. A orelha estava acondicionada em um embrulho lacrado, dentro de um saco plástico. Junto havia um bilhete dentro de uma garrafa de água mineral. No texto, assinado pelo refém, os sequestradores exigem pressa no pagamento do resgate de US$ 3 milhões para não matar o compositor.
A polícia foi avisada e pela manhã o tecido humano foi enviado para São Paulo, onde será submetido a exame de DNA. A peça de cartilagem viajou em um avião King Air do Estado, cedido pelo governador em exercício, Alcides Rodrigues Filho. Segundo o secretário de Segurança Pública, Demóstenes Xavier Torres, o pedaço de orelha será examinado para confirmar se é mesmo humana e se pertencia a Wellington Camargo, sequestrado há 87 dias. DE acordo com o secretário, o resultado do exame deve sair na segunda-feira à tarde. "Não sabemos se é orelha nem se é do sequestrado", afirmou Torres. "O laboratório é que vai dizer".
Um policial que acompanhou o momento em que o embrulho foi aberto disse que foi retirado um pedaço da orelha esquerda. Ela estaria ensaguentada e envolta em um pedaço de toalha. A polícia acredita que o tecido tenha sido tirado cerca de três horas antes de ser encontrado. O bilhete também já está sendo submetido a exame grafotécnico para confirmar se foi escrito realmente pelo sequestrado.
Para o exame de DNA em São Paulo foram colhidas amostras de sangue de dois irmão do refém, um em Goiânia e outro em São Paulo. A análise está sendo feita no Laboratório Gemini, na capital paulista. A análise será acompanhada de perto pelo diretor do Laboratório de Biologia Molecular da Universidade Católica de Goiás, Anor Antônio de Oliveira, que viajou levando o pedaço de cartilagem. Susto na TV - O porteiro Rondinelli recebeu o telefonema anônimo por volta das 6h15, no qual foi informado de que havia uma encomenda para "o repórter Jordevá Rosa ou para o Telejornalismo". Do outro lado da linha, uma voz aflita pedia pressa: "Pega logo seu babaca". Os funcionários acharam que poderia se tratar de uma bomba e acionaram a PM. O pacote foi aberto pelo sargento Morais, que examinou o material e leu o bilhete.
Às 6h50, chegaram os homens do Grupo Anti-Sequestro. Um perito ficou revoltado com o procedimento do militar. "Quem sabe, a gente não poderia encontrar digitais nas peças", lamentou. A família Camargo informou que só vai se manifestar sobre o fato após o resultado do exame de DNA em São Paulo.

mockup