O pedaço de pele humana enviado à família da dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano foi retirado da orelha esquerda do compositor Wellington José de Camargo. Laudo emitido ontem pelo Laboratório de Engenharia Molecular Genomic, de São Paulo, comprova que o tecido deixado na porta de uma emissora de TV em Goiânia, sábado, foi extraído do refém cerca de três horas antes de ser encontrado. Hoje à tarde, os integrantes da dupla sertaneja darão uma entrevista coletiva em São Paulo.
A mutilação, segundo a polícia, revela que os sequestradores decidiram radicalizar para chegar a uma rápida solução. ‘‘Foi um ato de terrorismo totalmente desnecessário’’, classificou o secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Xavier Torres. Segundo Torres, a atitude dos sequestradores mostra que eles estão dispostos a um desfecho rápido, mas a mutilação piora a situação dos criminosos perante à Justiça. ‘‘Isso agrava a pena deles’’, explicou. ‘‘Além de sequestro mediante extorsão, eles terão de responder também por lesão corporal gravíssima’’.
Wellington José de Camargo está sequestrado há 89 dias. A confirmação de que o pedaço de orelha extirpado é mesmo do compositor foi possível com base no resultado de investigação de vínculo genético, que atesta que o pedaço de orelha pertence a um filho de Helena Siqueira Camargo, mãe do refém. Segundo o laudo, assinado pelo médico Martin Whittle, ‘‘os alelos encontrados no material humano recebido também estavam presentes na mãe’’. O laboratório informou que há 99,99% de chance de que o material seja de um filho biológico de Helena Camargo.
O secretário de Segurança Pública reuniu a imprensa em seu gabinete para divulgar o laudo e aproveitou para criticar o ‘‘show’’ armado em torno do sequestro. ‘‘Virou espetáculo para alguns’’, afirmou. Ele lamentou que o apresentador Ratinho tenha lançado uma campanha em seu programa no SBT para reunir dinheiro para pagar o resgate do compositor - fixado em US$ 3 milhões. Segundo o secretário, atitudes como a do apresentador atrapalham a condução das negociações com os sequestradores. ‘‘Prova disso é que eles mencionaram a campanha no bilhete deixado junto com a orelha’’, observa. - Segundo ele, as negociações estavam adiantadas até sexta-feira, mas foram prejudicadas pelo lançamento da campanha.

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