São Paulo, 23 (AE) - Pecuaristas que possuem rebanho no Mato Grosso do Sul e também áreas de pastagens em São Paulo estão trazendo o gado do MS para São Paulo antes do fechamento das fronteiras, marcada para primeiro de julho. Segundo Alcides Torres, da Scot Consultoria, esta migração é normal mas este ano
com o problema no MS, ela está sendo antecipada e intensificada. Torres explica que estes pecuaristas estão trazendo também um volume expressivo de garrotes e bezerros desmamados. Além disso, muitos pecuaristas do MS estão aumentando suas ofertas para frigoríficos de outros Estados.
Para Sérgio Galiano, da Lucra Corretora, apesar de esta oferta ainda não ser volumosa, os preços do boi gordo no mercado físico em São Paulo já começam a sentir uma maior pressão. Segundo ele, os frigoríficos estão fazendo negócios a R$ 32,00 para descontar mas alguns frigoríficos já ofertam R$ 31,50.
Galiano acredita que o fraco atacado que deve continuar com suas vendas retraídas pelo menos até 7 de abril é um dos motivos que está levando os frigoríficos a ofertarem menos. "Os frigoríficos também podem estar querendo reduzir seu abate sem sair do mercado e reduzir o preço de suas ofertas pode ser uma estratégia", disse. Os frigoríficos estariam reduzindo seus abates porque existe sobra de carne no atacado e esta estratégia deve continuar até que oferta e demanda no atacado se equilibrem.
A proximidade do feriado da Semana Santa, onde o consumo de carne bovina cai consideravelmente, é um dos fatores que levam os analistas a acreditar que, no curto prazo, o consumo no atacado não se recupera. Segundo Alcides Torres, da Scot Consultoria, mesmo no médio prazo, com a corrosão do poder de compra do consumidor, esta recuperação parece improvável. "Até a carne de frango está com suas vendas em declínio", disse. José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, estima que, a pressão da Semana Santa fará com que os pecuaristas tenham que abaixar seus preços, mesmo com o suporte dado pelos frigoríficos exportadores, que continuam pagando R$ 32 pela arroba em São Paulo sem reclamar. Isto faz com que muitos frigoríficos já tenham escalas fechadas até quarta-feira da próxima semana. Na média, os frigoríficos estão com escalas fechadas até sexta-feira.
Em Minas Gerais, os pecuaristas recuaram e começaram a oferecer a arroba a R$ 31,50 para decontar e R$ 30,00 livre, o que fez com que os compradores programassem escalas para toda esta semana. Hoje, estes compradores estavam fora do mercado. No atacado, o traseiro estava cotado a R$ 2,45 o quilo, uma ligeira melhora em relação à cotação anterior, o dianteiro era cotado a R$ 1,55 e a ponta de agulha a R$ 1,35. Estes preços apontam um equivalente físico de R$ 29,41, ainda inferior aos R$ 32 pagos no mercado físico.
A pressão nos preços do mercado físico de boi já começam a afetar o mercado futuro. Analistas deste mercado acreditam que a queda registrada nos preços dos contratos futuros de boi cambial, negociados na BM&F, ontem e hoje, foram provocadas por uma maior pressão no mercado físico e não mais por variações no dólar. Segundo Marcelo Couto, consultor agrícola e pesquisador da Esalq, o dólar está praticamente estável em relação ao real há cerca de dez dias e ele não pode ter provocado estas quedas recentes. "O mercado futuro voltou a se espelhar no mercado físico e não mais nas variações do câmbio", disse.
Couto explica que esta retração nos preços futuros pode ser exemplificada através do contrato de abril, que no começo de março, era cotado a R$ 35,00 à prazo e agora é cotado a R$ 31,9, inferior ao preço negociado hoje, em torno de R$ 32 no interior paulista.

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