Pecuaristas são forçados a "financiar" guerrilha colombiana
Bogotá, 14 (AE-IPS) - No ano passado, 530 pecuaristas colombianos foram sequestrados e, destes, 34 assassinados pelos guerrilheiros da Colômbia. Por conta disso, os pecuaristas passaram a ser alvo fácil para garantir o financiamento da guerrilha de grupos como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Exército de Libertação Nacional (ELN) e Exército Popular de Libertação (EPL).
O desabafo é do presidente da Federação Nacional de Pecuaristas (Fedgan) Jorge Visbal Martelo. "A guerrilha é a verdadeira febre aftosa do nosso setor", disse ele.
Resgate de sequestros, extorsões e roubo de gado custaram no ano passado, ao setor, US$ 155,2 milhões. Visbal Martelo conta que os pecuaristas também perdem na hora de controlar a produção de carne e leite nas fazendas de onde se mantêm distantes por medo de serem vítimas. "Perdemos com isso US$ 308,3 milhões", contabiliza.
Desde o começo do ano, 15 pecuaristas foram sequestrados. As regiões mais visadas são Costa Atlântica e Magdalena Médio. Em 97 foram sequestrados 410 pecuaristas na Colômbia, o que mostra que esse tipo de crime aumentou 29,2%, disse Visbal Martelo. O setor contribui com 5% do PIB nacional e gera 1,4 milhão de empregos diretos.
A Colômbia é o país mais inseguro da América do Sul. Em 98, com relação ao ano anterior, o número de homicídios aumentou 9%. Os números e a conclusão são da Direção da Polícia Judiciária (Dijin), divulgados esta semana em Bogotá, a capital do país. O informe indica que no ano passado foram cometidos 29.342 homicídios, o que representa uma taxa de 72 para cada 100 mil habitantes.
Supera mais de quatro vezes as médias de Brasil (17 por 100 mil) e Venezuela (16 por 100 mil). Os números fazem parte do informe anual sobre a evolução da criminalidade na Colômbia, em cujo crescimento incidem a delinquência comum e o conflito político interno.





