Pecuaristas protestam contra fronteiras de controle da aftosa
Cuiabá, 23 (AE) - Cinquenta vacas foram abatidas e 12 mil quilos de carne distribuídos, gratuitamente, para milhares de pessoas ontem em Cáceres, oeste do Mato Grosso, na divisa com a Bolívia, durante o protesto dos criadores de gado do Vale do Guaporé. Na região existe apenas um frigorífico para um rebanho bovino de 3,5 milhões de animais. Ao todo, são 5.500 propriedades que estão na área de risco da febre aftosa. Os pecuaristas querem que o Ministério da Agricultura libere a comercialização do produto para outras regiões do País.
Apesar do protesto, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse que as fronteiras deverão permanecer fechadas até maio do ano que vem. O ministério continuará cumprindo com rigor as normas de restrições de animais, para não colocar em risco as condições sanitárias conseguidas pelos Estados do circuito Centro-Oeste (São Paulo, Goiás, Paraná, Mato Grosso, Distrito Federal e Minas Gerais).
O Ministério da Agricultura interditou o trânsito e a comercialização de bovinos na região da fronteira com Rondônia e a Bolívia desde o dia 1º de agosto de 1999. Amanhã, pecuaristas de Mato Grosso reúnem-se com o ministro. Eles vão apresentar algumas propostas, entre as quais, a volta do "Corredor Sanitário", ou "Análise de Risco", um estudo em cada propriedade para constatação sobre as condições do rebanho.
A área de risco da febre aftosa em Mato Grosso representa pouco menos de 10% do rebanho bovino do Estado, que é de 50 milhões de animais. "Temos que cumprir a legislação para não colocar em risco a imagem do Estado e do País", disse Ênio Arruda, presidente do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea). Em maio, a Organização Internacional de Epizootia deverá reconhecer o circuito como livre da febre aftosa .Com o certificado, a carne poderá ser comercializada em outros Países.





