Sorocaba, SP- Depois de sofrer a décima invasão pelos sem-terra, o pecuarista João Coelho Júnior, de 63 anos, jogou a toalha: ele anunciou ontem a venda da sua propriedade, a fazenda Tupi Conan, em Presidente Epitácio, no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste de São Paulo, pela metade do valor real. Se o negócio for imediato, o comprador levará também uma ordem de despejo assinada pelo juiz Rogério de Toledo Pierri, da 1Vara Cível, contra os 300 sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que desde o dia 9 estão acampados no interior da fazenda.
Emitida no dia 13, a ordem judicial ainda não foi cumprida. O pecuarista disse que vai pegar o dinheiro e sair do Brasil. ''Cansei de ser palhaço num País que só é bom para índio, sem-terra e político'', desabafou. Coelho Júnior conta que a fazenda, de 2.023 hectares, está com sua família há mais de 40 anos. Voltada para a produção de gado de leite e corte, já foi uma das mais produtivas da região. Há dois anos, o MST fez a primeira invasão.
''Coincidentemente, logo em seguida o Estado entrou com uma ação discriminatória, com base em declaração do Instituto de Terras do Estado de São Paulo de que as terras eram devolutas.'' Segundo ele, a ação se baseia em documentos vagos, do século passado.
''Eu apresentei a escritura de compra, outorgada pelo próprio Estado e registrada em cartório, e os recibos de pagamento.'' Segundo ele, o juiz de primeira instância negou-se a apreciar o mérito da ação, que foi remetida para São Paulo. ''O processo não foi julgado em nenhuma instância, mas os sem-terra querem que eu saia. Como não estou disposto a dar tiro em ninguém, pus à venda.'' Coelho Júnior não esconde os problemas que teve com o MST e o Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast), outro grupo que já invadiu a fazenda. ''Cada vez que entram, estragam tudo o que podem.''
Nas invasões anteriores, foram queimados dois galpões de madeira maciça, um deles com 250 metros quadrados de área construída. O outro, projetado para o manejo do gado, tinha 12 metros de extensão e 50 porteiras. Até a balança de pesar os animais foi transformada em cinzas. Ele teve vários animais abatidos e cerca de 5 mil pés de eucaliptos cortados. ''Esfaquearam o pescoço de uma vaca leiteira campeã, uma monstruosidade'', reclama. Coelho Júnior conta que foi ameaçado de morte pelos sem-terra quando tentava retirar um registro novo do sistema de abastecimento do gado para evitar que o equipamento fosse furtado. ''Disseram que, se ficassem sem água, botariam fogo na minha casa com a gente dentro.''
Coelho Neto está pedindo R$ 6,2 mil o hectare, quando as terras da região, não sujeitas ao assédio do MST, valem de R$ 12 mil a R$ 15 mil o hectare.

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