Peças egípcias do acervo do Louvre serão expostos no Brasil em 200116/Mar, 20:57 Por Beatriz Coelho Silva Rio, 176 (AE) - Parte do acervo de peças egípicias do Museu do Louvre chega ao Rio e São Paulo no início do ano que vem. A diretora do Departamento de Antiguidade Egípcia da instituição, Crhistianne Ziegler, está no Brasil para conhecer os espaços disponíveis e planejar a mostra. Em São Paulo, ela visitou o Museu de Arte (Masp), a Fundação de Arte álvares Penteado (Faap) e a Pinatoteca. Hoje, no Rio, ela foi à Casa França-Brasil, ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), ao da Quinta da Boa Vista (que tem uma grande coleçao egípcia) e ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). "Preciso de um lugar com cerca de mil metros quadrados, em que seja possível manter, o tempo todo, o nível de umidade em 50% e a temperatura em 20º celsius", explicou ela. "Pretendemos trazer cerca de 60 peças, entre papiros, esculturas em pedra e madeira e um sarcófago, tudo do período do Novo Império, entre 1700 e 2000 antes de Cristo, época dos faraós Ramsés e Tutankamon". Segundo Christianne, a coleção egípia do Louvre só perde para a do Cairo, capital do Egito. Ao contrário da idéia corrente, não foi trazida à França por Napoleão Bonaparte. "O pouco que ele levou foi tomado pelos ingleses, inclusive a Pedra Roseta, decifrada pelo arquelólogo Jean François Champollion, que nos permitiu conhecer a cultura desse povo", ressalta a especialista. "Napoleão só trouxe para a França o amor ao Egito". A coleção do Louvre foi formada por insistência de Champollion, a partir da segunda década do século passado. "Nessa época, muitos diplomatas europeus, de passagem pelo Egipo, haviam comprado a preço baixo arte da região que, até então, não era valorizada", conta a especialista. "Champollion convenceu o rei da França, Charles X, a comprar muitas peças para formar o acervo, mas os diplomatas, cientes do tesouro que detinham, as vendiam a preço alto". As maiores preciosidades do Louvre, no entanto, vão ficar lá mesmo porque hoje são proibidas de sair da França por lei. É o caso das escultura "Escriba Sentado", uma das mais visitadas do museu. "Estamos planejando uma exposição sobre a religião do Egito, com peças que mostram a sua influência no contidiano daquela época", adianta Christianne. "Nessa época, não havia divisão entre ciência, religião, magia e arte e é isso que vamos mostrar".

mockup