Recife- O policial militar Jaílson Monteiro, de 30 anos, submeteu-se ontem, no Hospital S.O.S. Mão, no Recife, a uma cirurgia com uso de células-tronco para reconstrução de nervos periféricos. O método, inédito, foi desenvolvido pelo professor da Faculdade de Medicina da PUC do Rio Grande do Sul, Jefferson Braga Silva. A expectativa é de que Monteiro recupere em pouco tempo o movimento do ombro, braço e mão esquerdos, afetados por lesões no nervo radial (no braço) e no plexo braquial (conjunto de nervos localizados no pescoço) sofridas em um acidente de moto no dia 26 de dezembro.
A técnica usa células-tronco retiradas da medula óssea do paciente e foi usada pela primeira vez no Norte e Nordeste há oito dias, no mesmo hospital. Além de não haver risco de rejeição, a recuperação dos nervos afetados é muito mais rápida.
A primeira cirurgia do gênero foi feita em fevereiro, no RS, e conseguiu restabelecer a ligação de um nervo rompido na altura do antebraço de um paciente de 22 anos. A recuperação do movimento dos dedos se deu um mês e meio depois da intervenção. Pelo método tradicional seriam pelo menos seis meses.
A terapia com células-tronco é destinada a pessoas que não foram operadas na urgência e perdem um segmento do nervo, que se atrofia. Até o desenvolvimento da nova técnica pelo médico gaúcho, a religação das extremidades do nervo rompido era feita com um tubo de silicone vazio ou com substâncias neurotróficas (que promovem o crescimento do nervo dentro do tubo). Com a injeção das células-tronco preenchendo este mesmo tubo de silicone, a estrutura do nervo lesado é restabelecido em menor tempo e sem risco.

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