O governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), decretou ontem estado de calamidade pública em todo o sertão do Estado devido à seca. A medida, que começa a vigorar hoje, atinge 56 dos 184 municípios pernambucanos, onde cerca de 700 mil pessoas sofrem com os efeitos da estiagem.
Segundo o governo do Estado, a situação também é ruim em outras 71 cidades, a maior parte delas localizada no agreste, onde as chuvas este ano foram insuficientes ou irregulares.
Com o decreto de calamidade pública, os municípios passarão a ter o direito de receber ajuda federal. O governo, por meio do ‘‘ministério da seca’’ montado emergencialmente em Recife, anunciou que vai distribuir água em carros-pipa e 350 mil cestas básicas aos flagelados nordestinos.
A situação no semi-árido é considerada crítica. Em Pernambuco, disse o secretário-adjunto da Produção Rural e Reforma Agrária, Gabriel Maciel, o gado está morrendo e 98% da safra de milho e feijão já foram perdidas. ‘‘Esperávamos colher 280 mil toneladas, mas não sobrou praticamente nada’’, afirmou.
Segundo Maciel, o governo investiu R$ 4 milhões na safra, com a distribuição de 2.100 toneladas de sementes aos agricultores. ‘‘Estatisticamente, a cada dez anos temos apenas uma safra normal’’, disse. ‘‘Outras três são irregulares [com perda de até 30%’’ e seis são ruins, com produção máxima de 30%.’’
Do primeiro lote de 100 mil cestas básicas que o governo federal pretende distribuir a partir desta semana no Nordeste, 10 mil deverão ser destinadas a Pernambuco.
O convênio com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), necessário para o repasse dos alimentos aos governos estaduais, foi assinado ontem no Recife.
Enquanto a ajuda federal não vem, o governo estadual está distribuindo 30 mil cestas básicas de seu estoque estratégico, adquirido com recursos próprios.

mockup