O número de amputações envolvendo portadores de diabetes no Hospital Universitário (HU) de Londrina tem chamado a atenção dos profissionais da saúde. Só este ano, das 50 cirurgias de amputações realizadas no hospital, 24 delas envolveram pacientes com diabetes que poderiam ter evitado a perda dos membros caso tivessem prevenido o surgimento de feridas. A falta de cuidados e até mesmo de informação entre os pacientes são fatores que têm desencadeado a gravidade dos casos.

O médico ortopedista especialista em pé, Marco Antonio Batista, que é um dos cirurgiões do HU, tem se assustado com a quantidade de procedimentos que tem feito. Ele aponta a seriedade do caso e a importância dos diabéticos em cuidarem dos seus pés para evitar amputações. ''O pé diabético é algo levado tão a sério na medicina que só para tratar desse paciente nós envolvemos além do ortopedista, uma equipe com endocrinologista, cirurgião vascular e enfermeiros especialistas em pés. Depois que uma ferida no pé infecciona, chegando a atingir o osso, não há mais o que fazer a não ser amputar'', diz.

De acordo com o Serviço Ambulatorial Médico e Estatístico (Same) do HU, de janeiro de 2009 até julho de 2010, 74 amputações foram realizadas, destas, 42 envolviam diabéticos, ou seja, 57% dos casos. Os pacientes de Londrina e região têm perdido não só pé e dedo de pé, mas também coxa e perna. Os números têm aumentado consideravelmente se avaliarmos que de janeiro à junho de 2009 foram realizadas 16 amputações e no mesmo período de 2010, o número subiu para 24.

''Quando a pessoa está com o diabetes descompensado, seu organismo pode desencadear problemas como a falta de sensibilidade na planta do pé, além de outros que atacam também a visão. Realizamos um teste com um fio de nylon para testar essa sensibilidade e quando o paciente não sente esse monofilamento, é hora de tomar providências'', alerta.

Pesquisas apontam que na América do Norte e Sul, cerca de 15% dos pacientes com diabetes desenvolvem úlceras nos pés; destes, 20% são internados e pelo menos 85% deles acabam tendo que amputar os membros. Depois da primeira amputação, cerca de 30% dos pacientes perdem outro membro em três anos. Pelo menos dois terços desse mesmo público morrem em cinco anos.

Na opinião do médico, o problema vai além da perda do membro. Segundo ele, a falta de acesso à informação e a falta de condições sociais para que o paciente com diabetes consiga manter uma vida saudável, têm sido as principais causas para o aumento dessas estatísticas. ''Esse paciente não poderá trabalhar, vai gerar ainda mais despesas para o Estado, e mais que isso; há o transtorno psicológico que o paciente viverá por cusa da amputação'', enfatiza.

A enfermeira especialista em pés, Márcia Mitie Urano, explica que existem dois tipos de pés diabéticos, o neuropático e o isquêmico, ambos sofrem a perda da sensibilidade e por isso o diabético se machuca sem perceber. ''O paciente tem que aceitar que é um diabético e que terá que se reeducar em tudo o que ele faz no seu dia-dia. Na verdade o reeducar não é somente na alimentação, inclui tudo, o modo de se alimentar, a atividade física, controle emocional e exames laboratoriais. Infelizmente isso não é o que acontece com a maioria dos diabéticos. É preciso que todos saibam que o diabetes tratado adequadamente oferece à pessoa uma vida normal'', finaliza.

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