Rio, 20 (AE) - O PDT transformou hoje uma manifestação preparatória dos protestos nacionalistas programados para amanhã (21), Dia de Tiradentes, em ato de defesa da palavra de ordem que está dividindo a frente das esquerdas: renúncia imediata do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Eram do partido a maior parte das bandeiras carregadas por alguns dos cerca de 2 mil manifestantes que percorreram o centro do Rio no início da noite e se concentraram na escadaria da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). À exceção do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, nenhum político de projeção nacional compareceu.
O presidente nacional do PT e deputado, José Dirceu (SP)
cuja presença fora anunciada, não compareceu. Ele ficou irritado com a insistência de Brizola na defesa da renúncia e também com a publicação, nos jornais de hoje, de declarações em que o pedetista afirmava que o PT é um partido "da classe média". Brizola alegou que suas entrevistas foram distorcidas pelos repórteres e pretendia entrar em contato com o governador do Rio Grande do Sul, o petista Olívio Dutra. Dirigentes nacionais do PDT também prometiam tentar um contato com Dirceu para desfazer o que afirmavam ser apenas um mal-entendido.
A maioria dos militantes dos demais partidos de esquerda que foram à manifestação estão em desacordo em relação às direções de seus partidos (como o grupo petista fluminense Refazendo). Brizola tem defendido nas reuniões da frente (formada por PDT, PT, PSB, PCB e PC do B) que toda a esquerda encampe a proposta, mas as outras legendas, principalmente o PT, não aceitam a proposição, por temer riscos institucionais. Hoje, farto de esperar, o pedetista resolveu lançar nas ruas, sem apoio das cúpulas nacionais dos outros partidos, a campanha nacional. O ato foi marcado por críticas ao escândalo da ajuda aos bancos Marka e FonteCindam, na crise de janeiro.
"Vou caminhar por este País afora, pregando a renúncia de um incompetente que desmereceu a confiança de seu povo, entregando seu país e humilhando o povo brasileiro e nossa pátria perante o mundo inteiro", discursou Brizola. Ele disse que não há como o Brasil sair da crise econômica sem que Fernando Henrique e seu vice, Marco Maciel, deixem os seus cargos. Brizola tentou negar as divergências na frente, afirmando que as palavras-de-ordem (lançadas por PT e PC do B) "Basta de FHC" e "Fora FHC" "querem dizer rigorosamente a mesma coisa".
O pedetista comparou Fernando Henrique a outros personagens da história brasileira que renunciaram a seus cargos
como D. Pedro I, o marechal Deodoro da Fonseca, Getúlio Vargas e João Goulart (que, na verdade, deixou o País ainda no cargo, quando aconteceu o golpe militar de 1964).

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