PDT recorre de liminar que proíbe veiculação de anúncia contra o governo
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terça-feira, 18 de abril de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 19 (AE) - O PDT vai recorrer da decisão da Justiça Eleitoral, que ontem (18) concedeu liminar suspendendo a veiculação na TV de anúncio do partido que acusa o governo de corrupção. A ação que obteve a liminar -concedida pelo corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Garcia Vieira- foi movida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo PSDB, sob alegação de que o presidente pedetista, Leonel Brizola, ofendeu a honra do presidente da República. Em viagem ao Uruguai, Brizola não foi localizado para falar do assunto.
De acordo com o PDT, foi a quinta vez em que os tucanos tentaram suspender a propaganda do partido -a primeira em que obtiveram sucesso. O comando nacional da legenda alegou que a inserção só foi exibida no sábado e não vai mais ao ar, mas, ainda assim, vai à Justiça para cassar a liminar. Ela só chegou oficialmente ao partido à tarde.
No programa que o PSDB e o presidente da República consideraram ofensivo, Brizola lembrou que Fernando Henrique afirmara sentir asco da corrupção e dissera que o Estado brasileiro é imune ao problema. "Não sei como o Palácio do Planalto não veio abaixo", comentou o presidente nacional do PDT. Dirigindo-se então ao presidente, Brizola lhe perguntou como obteve o segundo mandato e indagou sobre o dinheiro que as compradoras das telefônicas poderão, em parte, descontar do Imposto de Renda, nos próximos anos, supostamente referente ao ágio que pagaram na privatização. "Isso não é corrupção?", perguntou Brizola.
Em sua defesa, o PDT deverá alegar que não fez no programa afirmações, mas perguntas, e que a alegação de Fernando Henrique de que não há corrupção no Estado brasileiro foi desmentida pelos fatos recentes, como os escândalos em São Paulo.


