PDT lança no dia 20 campanha pela renúncia de FHC
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de abril de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 12 (AE) - Sem o apoio da frente de esquerdas, o PDT decidiu lançar, no dia 20, em ato público no Rio, a campanha pela renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. A decisão
que pode aprofundar as divergências no fórum que congrega PDT, PT, PSB, PCB e PC do B, foi anunciada pelo pedetista Leonel Brizola hoje, três dias após a última reunião do comando nacional da frente, em Alagoas. No encontro, mais uma vez os esquerdistas divergiram sobre a questão.
"Sinto-me um tanto ou quanto só", disse Brizola. "Não encontro entusiasmo entre os líderes da esquerda." Para o pedetista, essas lideranças "não amadureceram a questão", por isso não apóiam a proposta. A principal divergência do encontro, em torno da campanha pela renúncia, envolveu o PDT e o PT. Os petistas são contra a defesa da renúncia, segundo avaliação da cúpula pedetista, por avaliar que Luiz Inácio Lula da Silva poderá suceder Fernando Henrique sem problemas, se as regras do jogo político forem mantidas.
O ato, na véspera do aniversário da morte de Tiradentes, também defenderá a manutenção, como empresas estatais, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobrás. Brizola, que espera a adesão de militantes das seções fluminenses do PC do B e do PSB, revelou que a cúpula do PDT examina a possibilidade de pedir também a renúncia do vice-presidente, Marco Maciel, e a convocação de novas eleições.
Trata-se de resposta a uma objeção levantada pelo PT na reunião: a de que nada mudaria só com a renúncia do presidente. "O PT prossegue como foi até agora: nitidamente, numa visão como se estivéssemos em plena normalidade, e não estamos, estamos em uma crise avassaladora", criticou. Brizola afirmou não ter ainda um plano nacional para a campanha pró-renúncia e disse que pretende retomar a discussão do assunto, que tem paralisado a frente, na próxima reunião da coligação, que deve acontecer em, no máximo, dez dias. "O PC do B e o PT, com menos calor, chegam à expressão Basta de FHC, mas nós não, achamos que temos que ser claros com o povo brasileiro", disse ele, mais uma vez defendendo a renúncia.


