PDT e PSB devem virar um único partido
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 24 (AE) - Os presidentes nacionais do PDT, Leonel Brizola, e do PSB, Miguel Arraes, iniciam oficialmente esta semana o processo de fusão das duas legendas, dando origem à mais nova agremiação política brasileira -que deverá se chamar Partido Trabalhista Socialista- e desencadeando, na prática, a reforma partidária. A decisão, que encerra cerca de cinco meses de negociações feitas em sigilo, foi tomada na sexta-feira, em reunião entre Brizola, Arraes e outros dirigentes pedetistas e socialistas, em Brasília. Será formada uma comissão para preparar o novo partido, que poderá viabilizar a candidatura do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), à Presidência da República.
Se conseguir somar as bancadas atuais na Câmara dos Deputados e no Senado, o PTS terá 39 deputados federais e seis senadores, além de três governadores: Anthony Garotinho (RJ), Ronaldo Lessa (AL) e João Capiberibe (AP). O novo partido, com perfil social-democrata, foi assunto de conversas informais ainda durante a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, no ano passado. Os petistas, porém, não gostaram da idéia de abrir mão de suas identidades político-partidárias e preferiram se limitar a tornar permanente a frente que fora formada apenas para apoiar Lula.
Questões práticas e políticas empurraram Brizola e Arraes para processo de fusão. A proposta de reforma política que tramita no Senado promete criar dificuldades para os partidos pequenos, o que o PDT (com 24 deputados federais e três senadores) e o PSB (com quinze representantes na Câmara e três no Senado), efetivamente, são. Uma cláusula de barreira, que exija um porcentual mínimo de votos para que os partidos possam chegar ao Legislativo, ou a proibição de coligações, por exemplo
poderiam decretar a "morte parlamentar" das duas agremiações. "Chegamos à conclusão de que não podíamos continuar divididos"
disse um integrante da cúpula nacional do PDT com acesso às negociações.
No plano político, Brizola e Arraes sonham atrair outra parte da esquerda: os candidatos do PC do B e do PPS, partidos menores que se inviabilizariam com a reforma política. Outro objetivo seria conseguir a adesão do setor não-governista do PMDB, cuja liderança mais vistosa é Itamar Franco. O governador de Minas poderia ter na nova legenda de centro-esquerda, admitem pedetistas e socialistas, o hospedeiro ideal para seu discurso nacionalista e sua possível candidatura à Presidência da República em 2002. Itamar tem sido elogiado por Brizola desde que decretou a moratória da dívida com a União.
"Se Itamar se mantiver firme na crítica à política econômica do governo e demonstrar compromisso com nossos programas, poderá ser candidato a presidente pelo novo partido"
disse Brizola, na reunião de sexta-feira, segundo um dos participantes do encontro. Os outros concordaram.
Disputa - O novo partido também será um novo pólo dentro da frente das esquerdas, até agora liderada pelo PT, maior agremiação do campo esquerdista. O PT tem sido criticado por Brizola por resistir a entrar na campanha pela renúncia imediata do presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo avalia a cúpula nacional do PDT, o PT avalia que ganhará as eleições de 2002 e teme criar problemas institucionais que dificultem o pleito.
A comissão a ser constituída pelo PDT e pelo PSB, com três representantes de cada partido, vai examinar a situação da futura agremiação Estado por Estado e questões como estatuto e programa. O PDT já indicou para integrá-la a senadora Emília Fernandes (RS) e o deputado Vivaldo Barbosa (RJ).


