PDT e PMDB negociam aliança no Rio
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quinta-feira, 20 de abril de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 21 (AE) - O bombardeio de denúncias que atingiu o governo Anthony Garotinho (PDT) nas últimas semanas aumentou a indefinição do quadro sucessório no RJ e levou o PDT a se aproximar do PMDB em busca de uma aliança na cidade. Convencidos de que o pré-candidato do PTB, Cesar Maia, foi o principal beneficiário da crise, representantes pedetistas têm conversado nas últimas semanas com adeptos da candidatura de Sérgio Cabral Filho (PMDB). O objetivo é uma coligação ampla, que isole Maia e tenha condições de enfrentá-lo no segundo turno. A divergência é sobre quem seria o cabeça-de-chapa.
"Conversa e pão de queijo nunca são demais", brincou o presidente regional do PDT, Carlos Lupi. Entre os pedetistas, a idéia é montar uma coligação de centro-esquerda, encabeçada - se prevalecesse o seu desejo - pelo presidente nacional do PDT, Leonel Brizola. Essa frente, segundo conversas preliminares na Assembléia Legislativa, teria apoio do PMDB, PV, PC do B e, talvez, PPS e PSB. Esses dois últimos partidos estão mais distantes. Do lado do PMDB, há boa vontade, sob uma condição: a candidatura de Cabral Filho a prefeito continua. Não há possibilidade de que seja retirada em favor do PDT.
O líder do PMDB na Assembléia Legislativa, Henry Charles
lembra que o pré-candidato do partido a prefeito do Rio até já marcou para 1º de julho a data para se afastar do cargo e se dedicar mais à campanha. "O Sérgio é o principal candidato do PMDB em todo o País", disse ele.
Outro dirigente peemedebista lembrou que o próprio Brizola já manifestou simpatia por Cabral Filho. Ele reconheceu a possibilidade de ser feito um "cordão de fortalecimento" do peemedebista contra Maia e revelou que o próprio petebista e o prefeito Luiz Paulo Conde mostraram interesse em uma aliança com o PMDB.
Definições - Até agora, as conversas não têm tido resultados práticos nem decisões. Há dias, a iniciativa de Cabral Filho de dispensar a produtora Zero, que era encarregada de seus programas de TV, gerou especulações: Cabral Filho estaria se preparando para desistir da candidatura. O comando peemedebista e o candidato desmentiram as afirmações e garantiram que outra produtora será contratada. A mudança se deveria a motivos financeiros e técnicos.
Na Assembléia, o relacionamento do PDT e do PMDB é considerado muito bom. Garotinho, cuja base de sustentação é minoria, não tem problemas para ter aprovados projetos de seu interesse, pois tem apoio da máquina do presidente da Casa, que controla a maior parte dos votos. O pedetista e Cabral Filho também têm relações pessoais muito próximas: almoçam juntos com frequência e até compartilham decisões e confidências. Só a partir de maio, porém, haverá alguma decisão.
O mês também deverá ser decisivo para outros partidos. PSDB e PTB devem fechar definitivamente o acordo em torno de Maia. Conde também deverá concluir o seu arco de apoios (ele ainda corteja os tucanos, mantendo contatos com o ex-governador Marcello Alencar, do PSDB). A vice-governadora Benedita da Silva (PT) deverá fechar a sua chapa, provavelmente com o ex-deputado Antonio Carlos Biscaia como seu candidato a vice-prefeito -um aceno em direção à classe média e aos formadores de opinião.


