Rio, 10 (AE) - O PDT vai oficializar na sexta-feira (14) a decisão de ter candidato próprio à prefeitura do Rio, iniciando o processo que deverá culminar no lançamento, provavelmente em março, do presidente nacional do partido, Leonel Brizola, como concorrente ao cargo.
A iniciativa torna inviável o acordo PDT-PT, que previa o apoio pedetista à candidatura da vice-governadora Benedita da Silva (PT) na capital em 2000 e será tomada pelo diretório regional da legenda, que vai se reunir para começar a preparar o partido visando a eleição. O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), defende o cumprimento do acerto, feito em 1998.
Um dos defensores do lançamento de Brizola, o deputado federal Miro Teixeira (RJ), afirmou hoje que o diretório não deverá lançar candidaturas na reunião. Ele disse que o acordo de 1998 (prevendo apoio do PT ao PDT no Estado do Rio, e do PDT ao PT na disputa pela Presidência) não foi homologado pelos petistas. "A convenção do PT não consumou o acertado, lançou Vladimir Palmeira (ex-deputado) ao governo." Na época, para cumprir a parte dela, a direção nacional do PT cassou a candidatura de Palmeira. Ironicamente, a intervenção feita a pedido do PDT em nome do acerto é o argumento dos pedetistas para dizer que não foi fechado.
"Garotinho fez o acordo", disse, isentando o partido de responsabilidade. Miro Teixeira defendeu o lançamento do presidente do partido não como uma forma de enfrentamento com Garotinho, mas por achar que o PDT precisa lançar candidatos próprios às prefeituras das capitais com o objetivo de se preparar para as novas exigências da legislação. A nova lei deve proibir coligações em 2002 e fixar um porcentual mínimo de votos para que a legenda tenha representação. Esclareceu que Brizola (que hoje estava no Uruguai) não assumirá a candidatura logo, embora, nas comemorações do aniversário dele (78 anos no dia 22, mas a festa será dia 29) possa haver manifestações pela candidatura.
O deputado afirmou que o PT "está trabalhando certo", por estar se organizando para lançar candidatos próprios em todas as capitais.
"Errado estará quem não pensar assim", afirmou. O parlamentar disse esperar que o PDT saia unido do processo, apesar das divergências públicas de Brizola e Garotinho, que se arrastam desde 1999.