PDT do Rio autorizará filiados para defender apoio a Benedita até convenção
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 23 (AE) - Os dirigentes do PDT no Rio devem aprovar amanhã (23) a tese da candidatura própria à prefeitura carioca, defendida pelo presidente nacional do partido, Leonel Brizola, mas liberarão os filiados que discordarem para lutar pelas opiniões divergentes até a convenção que, em julho, oficializará a posição da legenda. O acordo adia, desta forma, até o meio do ano, o conflito entre os adeptos de Brizola e do governador Anthony Garotinho, em torno da eleição municipal.
Com isso, Garotinho, que quer apoiar a vice-governadora Benedita da Silva (PT), estará livre para defender a idéia até o encontro. "O governador vai defender a sua posição de manutenção da aliança, mas se comprometeu a se submeter ao que for decidido", disse o presidente em exercício do PDT do Rio e secretário estadual de Governo, Carlos Lupi. O acerto foi combinado numa reunião na residência de Brizola, depois que, num encontro do Conselho Político do partido, no dia 11, o governador ameaçou renunciar ao cargo, se recebesse do PDT uma carta com as diretrizes do partido que teria descumprido, acusação que os brizolistas lhe fazem. Para Lupi, do grupo de Brizola, a decisão de amanhã encerra a crise.
Um dos principais articuladores do grupo do governador, o secretário da Criança e do Adolescente, Fernando William, reconheceu hoje que a proposta de candidatura própria deverá ser aprovada amanhã, mas previu que, ao contrário do encontro do dia 11, a reunião do diretório transcorrerá em ambiente de tranquilidade. Ele deu a entender que a decisão dará oportunidade ao grupo do governador de ganhar tempo e esperar que outros acontecimentos. Um deles é a decisão do PT que, em 26 de março, em prévias, vai escolher quem será o candidato a prefeito: Benedita ou o ex-deputado Vladimir Palmeira.
"Em política, um dia é muito tempo", disse. "Imagine quatro meses: tem tanta coisa para acontecer..." A deputada estadual Cidinha Campos (PDT), uma das principais opositoras de Garotinho no partido, disse que a decisão não encerrará o conflito interno.
"É como mulher que trai o marido: ele finge que não vê, mas sabe que está sendo traído." Brizola não quis dar declarações hoje, mas assessores informaram que a reunião deverá ter poucos discursos. Ele foi convidado hoje pelo presidente da Escola de Samba União da Ilha, Alfredo Fumaça, a desfilar na agremiação no carnaval.


