PDT decide amanhã se continha no governo Garotinho; partida exige mudanças no secretariado
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sábado, 08 de abril de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 09 (AE) - O conselho político do PDT deve decidir amanhã (10) se o partido sai da administração do governador Anthony Garotinho. A legenda deixará o governo se o governador mantiver nos cargos os secretários e auxiliares recentemente acusados de envolvimento em corrupção. Essa exigência e outras reivindicações foram decididas na reunião de quinta-feira do conselho e transmitidas a Garotinho. "Se ele disser que não aceita, defendo que devemos sair", disse o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira. O presidente nacional do partido, Leonel Brizola, e o regional, Carlos Lupi, têm a mesma posição.
A disposição dos brizolistas leva o partido a um impasse
já que o governador não se mostra disposto a afastar os auxiliares antes que as acusações sejam investigadas. Hoje, Garotinho cancelou sua participação na abertura da Americas Telecom 2000, para evitar contato com repórteres, e divulgou nota oficial, reafirmando a intenção de manter os acusados nos postos. "Não entregarei à execração pública meus colaboradores sem provas concretas de que tenham cometido irregularidades", disse ele, no texto. "Se alguém errou deve ser punido e será, de forma exemplar e na forma da lei, pelo governador".
Garotinho reafirmou que encaminhará as denúncias ao Ministério Público e chamou de "onda conspiratória" as denúncias. Segundo ele, seu governo "não se curvará aos politiqueiros e poderosos que querem continuar mantendo privilégios inadmissíveis em um país democrático". A demissão, ontem, do advogado Antônio Oliboni do cargo de secretário de Justiça foi, segundo o governador, iniciativa individual, fruto "da amargura com as injustiças que está sofrendo".
Oliboni é amigo de Garotinho e foi acusado de ter ligações com a Brasal, que fornece sem licitação alimentação para os presídios. Brizola e pedetistas que lhe são próximos exigem uma reforma do secretariado que afaste a chamada "República do Chuvisco", formada por amigos de Garotinho, como Oliboni. Chuvisco é um doce de ovo, típico da região de Campos, cidade que Garotinho governou.
Do grupo, também têm sido atacados o secretário da Administração, Hugo Leal, que tem um escritório em sociedade com Oliboni, do qual se licenciou e agora é dirigido por Marcella Oliboni, mulher do ex-secretário de Justiça e parente do secretário do Gabinete Civil, Jonas Lopes de Carvalho. As críticas também atingiram o presidente da Empresa de Obras Públicas (Emop), Carlos Siqueira, acusado de, quando secretário em Campos, ter superfaturado um show, e o presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos (Asep), Ranulfo Vidigal. Sobre a Asep pesa suspeita de extorsão a concessionários.
Além da "República", os brizolistas querem afastar da máquina pública o esquema ligado a evangélicos capitaneado pelo deputado federal Francisco Silva (PST-RJ) e que tem no presidente da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), Eduardo Cunha, uma face visível. Cunha é acusado de irregularidades na venda de casas populares. Também há problemas envolvendo o programa Cheque-Cidadão, de distribuição de ajuda a famílias carentes, por intermédio de templos religiosos - há denúncias de manipulação política e religiosa do dinheiro.
"As denúncias não são injúrias não, são fatos documentados", atacou Teixeira. "Existem sim, temos que botar na cadeia quem desvia dinheiro público". Brizola chegou a marcar uma entrevista para hoje para exigir as demissões, mas foi demovido por outros pedetistas.


