PCC se organiza através de intimidação de presos
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terça-feira, 16 de maio de 2006
Beatriz Pasqualino<br>Agência Brasil 
São Paulo- O procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo Marco Vinício Petrelluzzi foi secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo de 1999 a 2002. Durante sua gestão, em 2001, presos de 29 penitenciárias do estado iniciaram rebeliões sob coordenação do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).
Petrelluzzi fala sobre a rede de intimidação que permeia e sustenta o PCC dentro das cadeias e sobre o que conheceu da organização criminosa, suposta autora da onda de violência que atingiu São Paulo desde a última sexta-feira.
Agência Brasil: Como o PCC se organizou?
Marco Vinício Petrelluzzi: O PCC é uma organização formada dentro de unidades carcerárias. Organizações semelhantes existem há muitos anos em quase todo o sistema carcerário, mas menores. São Paulo tem um terço dos presos do Brasil. Enquanto o Rio de Janeiro tem 25 mil presos, aqui são 130 mil. Então, é natural que aqui as coisas tenham uma dimensão muito maior. O que é novo e deixa as pessoas mais preocupadas é que eles colocam seus tentáculos para fora das prisões. Além disso, usam métodos terroristas no confronto com o Estado, ataques indiscriminados, com alvos que não são certos, táticas de guerrilha urbana.
ABr: Qual é o objetivo dessa organização e onde ela capta recursos?
Petrelluzzi: O objetivo é resistir enquanto organização e para isso eles precisam ter benesses dentro do sistema carcerário, senão não subsistem. É uma luta de vida ou morte. Por isso agem com essa força e vigor surpreendentes. Sob certo aspecto, na realidade, mostra que estão travando mesmo uma luta de vida ou morte, porque estão sendo enfrentados. O PCC capta recursos do crime e, sobretudo, de contribuições dos próprios membros, que praticam crimes para dar dinheiro à organização. Há pessoas dentro da cadeia que pagam uma espécie de pedágio para o PCC. Esse é o lado obscuro. Uma pessoa presa, que não faz parte do PCC, chegam e dizem: ''aqui é o PCC que manda. Se você não pagar você está morto ou vai ser molestado sexualmente''. Então, esse poder de organização e de comando rende dinheiro. O preso não pode ser comandado por outra pessoa que não seja a administração da penitenciária. E isso não é uma realidade nem paulista nem brasileira. É mundial. Os presos organizados dentro dos presídios têm poder muito grande sobre o resto da população carcerária. É isso que o Estado tem tentado combater e que gerou o confronto que ganhou as ruas.


