PCC é uma ramificação do tráfico no Rio
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domingo, 18 de fevereiro de 2001
Ricardo Feltrin Agência Folha 
O PCC (Primeiro Comando da Capital), que pode estar por trás das rebeliões no Estado de São Paulo, começou a funcionar em São Paulo no ano passado como um braço dos traficantes de armas e drogas do Rio. Há duas teses para sua origem: o PCC seria uma ramificação do Terceiro Comando (TC), organização que se rebelou na década de 90 contra sua matriz, o Comando Vermelho (CV)-principal distribuidor de drogas e armas no país; ou o Primeiro Comando seria uma nova dissidência, que se rebelou contra o já rebelado Terceiro Comando.
Não há certeza se esses grupos são mesmo inimigos ou apenas descentralizados, para dificultar o combate ao crime. O fato é que no ano passado o CV e o TC decidiram mudar sua base de operações do Rio para São Paulo. O local escolhido foi a favela de Heliópolis (zona sudeste da cidade). O motivo: os criminosos estariam cansados de ser extorquidos por policiais cariocas que, em troca de propina, permitiriam o trânsito livre de drogas, armas e contrabando para os morros e, daí, para o consumidor.
Na mesma proporção que o pagamento de propinas aumentou, o lucro dos bandidos diminuiu e motivou a mudança para São Paulo. Em conversa gravada e publicada na revista IstoÉ, Fernandinho Beira-Mar (cabeça do tráfico nacional, atualmente foragido) reclamou com seu interlocutor que não suportava mais ser extorquido por policiais do Rio. A maioria dos produtos chegava ao Rio pelo mar. Ali ocorria o primeiro e maior pagamento de propina: supostamente para policiais marítimos que faziam vista grossa aos descarregamentos. Mudando a base de operações para São Paulo, todos os carregamentos passaram a entrar por São Paulo, e só então eram enviados para o Rio. Com essa medida os traficantes se vingaram dos policiais cariocas.


