Moscou, 08 (AE-ANSA) - O Partido Comunista russo sustenta que o presidente Boris Yeltsin renunciará ao seu cargo com a finalidade de desarticular o planos eleitorais de seus rivais políticos. Os rumores da renúncia de Yeltsin circulam há vários dias em Moscou, desde que a Procuradoria-Geral da Rússia revelou casos de suposta corrupção que respingaram em toda a família do presidente e em seus principais colaboradores.
Entretanto, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, a quem Yeltsin chama de seu "delfim", negou que o presidente - que está no centro de um escândalo político-financeiro que sacudiu até mesmo o cimento do Kremlin - planeje renunciar.
O premier considerou que as versões de renúncia "são fofocas infundadas" e as considerou uma "traição" num momento em que Moscou tenta controlar a situação na república autônoma do Daguestão.
"Seria como se tivessem falado na demissão de Stalin depois da agressão nazista contra a União Soviética. A coisa teria sido vista como uma traição", disse Putin.
As palavras do premier, entretanto, não convenceram Serguei Reshultski, o coordenador do bloco comunista que domina a Câmara baixa do Parlamento Russo (a Duma).
Segundo Reshultski, além dos desmentidos oficiais, o Kremlin estaria examinando a possibilidade de uma renúncia antecipada de Yeltsin para favorecer a sucessão de Putin à presidência.
Se Yeltsin renunciar antes do dia 19, a eleição presidencial seria realizada juntamente com o pleito parlamentar, em 19 de dezembro.
Com base na lei eleitoral russa, todos os líderes políticos que encabeçam as listas eleitorais para a Duma devem renunciar para apresentar sua candidatura à presidência, a menos que seus partidos se retirem em bloco das eleições parlamentares.
A lei prevê que os candidatos às eleições presidenciais não podem participar simultaneamente em outros pleitos e prevê ainda que os três primeiros candidatos das listas para renovar o Parlamento não podem retirar-se no último momento, sob pena de exclusão de todos os candidatos do correspondente partido.
Caso opte pela renúncia, Yeltsin obrigaria os candidatos a escolher entre suas aspirações ao Kremlin e os interesses de seus respectivos partidos nas eleições legislativas.
Muitos dos que ambicionam o lugar de Yeltsin, como o comunista Gennady Ziuganov, já apresentaram sua candidatura à Duma.

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