Londrina - Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgados no início de dezembro, mostram que a violência no campo está diminuindo no Paraná. De acordo com estatísticas relativas ao período entre janeiro e setembro, o número de conflitos caiu de 37 nos nove primeiros meses de 2010 para apenas cinco em 2011. Por outro lado, o número de conflitos aumentou nos demais estados do Sul. Em Santa Catarina, passou de 13 para 17, e no Rio Grande do Sul, de 11 para 19.
No ano passado, o Paraná já tinha a menor quantia de envolvidos em conflitos no campo, mas a diferença era pequena para catarinenses e gaúchos: 4.369 pessoas no Estado, 384 a menos do que em Santa Catarina e 280 a menos do que o registrado no Rio Grande do Sul.
Nos nove primeiros meses de 2011, a diferença foi bem maior. Foram 519 envolvidos no Paraná, 5.491 nas áreas rurais catarinenses e 6.735 nas gaúchas. Segundo a Pastoral, no dois períodos dos dois anos, não foram registrados assassinatos e ameaças de morte nos três Estados.
A pesquisa da CPT mostra que o Brasil seguiu tendência de queda em números de conflitos, envolvidos e mortes, embora proporcionalmente a redução tenha sido menos acentuada do que no Paraná. A exceção foi a quantia de ameaças, que nacionalmente aumentou de 83 para 172 ocorrências. A CPT enfatiza que todos os dados são parciais e que no levantamento do ano inteiro poderão ser acrescentadas mais estatísticas dos nove primeiros meses de 2011.
O coordenador nacional da Pastoral da Terra, Dirceu Fumagalli, argumenta que os números paranaenses até setembro podem ter subdimensionado os conflitos locais no campo. ''Pode ser que muitos dados não tenham sido sistematizados, até porque a Pastoral da Terra no Paraná está em reavaliação e reorganização internas, o que fragiliza a captação de estatísticas das ocorrências'', explica.
Entretanto, Fumagalli considera algumas hipóteses para a redução dos conflitos nas áreas rurais paranaenses. ''Há a questão política. O movimento (pela terra) no Paraná é relativamente amistoso, não há conflito com o poder público. Existe a política de consolidar acampamentos que já existiam. Isso dá uma aparência de amenização de conflitos. Outra explicação pode ser a mudança de governo, que sempre dá uma expectativa para os trabalhadores de que ocorram soluções'', argumenta o coordenador.
Nilton Bezerra Guedes, coordenador estadual do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ressalta que ''diminuiu o número de conflitos, mas isso não significa que diminuiu a demanda''.
Ele afirma que o Incra vem adotando no Paraná uma ''política de mediação de conflitos'', envolvendo o próprio instituto, o governo do Estado, acampados e proprietários de terras. ''Em 2011, não houve despejo. Houve apenas uma situação no Norte do Estado, mas foi um caso de reocupação'', justifica.
''A maior demanda hoje é a estruturação dos assentamentos. Trabalhamos nas duas frentes: para obter terras e a outra, que é o maior desafio, é qualificar os assentamentos. Hoje, o Paraná tem 319 assentamentos, onde vivem 20 mil famílias. Todos possuem assistência técnica. Além disso, trabalhamos para oferecer a infraestrutura básica: estradas, escolas, energia elétrica'', explica Guedes.
O coordenador aponta que ainda existem 72 áreas rurais ocupadas em todo o Paraná. ''Destas, 34 já estão em processo de formalização de compra para assentamento e as outras estão em negociação'', descreve.

Imagem ilustrativa da imagem PAZ NO CAMPO - Redução da violência muda foco da política agrária
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