Pauta restrita ameaça adesão de governadores
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
por Gerson Camarotti 
Brasília, 19 (AE) - Insatisfeitos com a definição de uma pauta rígida para discutir exclusivamente a questão da Previdência, os governadores de oposição ameaçam não participar do encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso marcado para acontecer nesta sexta-feira, em Brasília.
A principal reação partiu do governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, que hoje levou um susto ao receber o convite do Palácio do Planalto restringindo os assuntos da reunião. "Estou disposto a discutir", avisou Zeca, fazendo uma referência a intenção do Executivo de aprovar no Congresso a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para taxar os inativos. "Mas se for apenas essa pauta, não dá para participar do encontro", reagiu.
Durante a quarta-feira, Zeca deverá conversar com os outros governadores do PT e dos partidos de oposição. Ele quer retomar com o presidente Fernando Henrique assuntos como a compensação para os Estados do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), as perdas com a Lei Kandir e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Hoje mesmo, Zeca recebeu a primeira sinalização de que terá apoio dos outros governadores. O secretário de Fazenda do Rio Grande do Sul, Arno Augustin, ligou para o secretário de Fazenda do Mato Grosso do Sul, Paulo Bernardo, manifestando o mesmo espanto com o convite do Planalto. "A reação do governador Olívio Dutra foi igual", comentou Paulo Bernardo. Dutra também participaria de um jantar com Fernando Henrique na noite de quinta-feira. A intenção dos governadores de oposição é forçar uma mudança de pauta da reunião, ampliando o debate para outros assuntos que não foram concluídos na reunião de governadores do último sábado.
"Seria preciso manter a pauta que foi combinada com o presidente Fernando Henrique no último encontro", explicou Paulo Bernardo. "Esperamos uma mudança do Planalto". Hoje mesmo, ele chegou a telefonar para o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente para informar a insatisfação do governador petista com a limitação imposta para o encontro. Mas até o início da noite ainda não havia recebido um retorno de Parente. "O convite que recebemos foi uma ducha de água fria", lamentou Paulo Bernardo.


