O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, garantiu, ontem, que acabou com clientelismo em sua área. A afirmação foi uma reação irritada de Paulo Renato a uma crítica contundente feita pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), João Batista de Araújo e Oliveira, durante o seminário ‘‘Um Modelo de Educação para o Século 21’’, promovido ontem, no Rio, pelo Instituto Nacional de Altos Estudos. Oliveira, em sua palestra, acusou o governo de manter um ‘‘balcão em Brasília’’ e de exercer uma prática ‘‘centralizadora, clientelista e de patrulhamento dos diretores de escola’’.
Quando retomou o palavra, o ministro defendeu sua gestão. ‘‘Se há algo que mudou nesse governo foi o clientelismo’’, afirmou. Ele deu como exemplos disso a unversalização dos programas e da merenda escolar e o projeto TV Escola. ‘‘A TV Escola chega nos municípios independemente da cor política de prefeitos e deputados’’, disse. Oliveira, considerado um dos principais especialistas em Educação do PSDB, é um crítico feroz, porém, do modelo de administração centralizado adotado no País.
‘‘Se continuar nesse rumo, os filhos de nossos filhos vão continuar fora da escola pública, porque ela continuará ruim’’, fulminou. ‘‘O governo tem de dar espaço para a escola ser uma instituição da sociedade, que deve tomar a si a responsabilidade sobre ela’’. Paulo Renato, porém, respondeu que o MEC já depositou R$ 1,07 bilhão na conta de associações de pais e mestres, encarregadas de administrar o dinheiro das escolas e deu como exemplo os programas de informática do ministério, geridos pelos Estados. ‘‘Fomos eleitos para ser governo e temos de dar as diretrizes’’, disse. ‘‘Promovemos mudanças irreversíveis na educação que vão permanecer mesmo se não houver a reeleição’’. Paulo Renato afirmou que o ensino médio é a nova prioridade do MEC. ‘‘O balanço, no conjunto, é ruim. Mas temos indicadores de melhoria no ensino fundamental e vamos centrar esforços no ensino médio’’.

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