Brasília, 22 (AE) - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse hoje ser favorável a propostas como a do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criar um imposto contra a pobreza. "Toda iniciativa que vier no sentido de diminuir as diferenças sociais no Brasil é muito bem-vinda", declarou o ministro.
Segundo ele, a grande influência de ACM no Congresso pode facilitar a aprovação de medidas nesse sentido.
Paulo Renato afirmou que os problemas sociais brasileiros têm raízes históricas e estão ligados à atuação das classes dirigentes. "Os problemas sociais são estruturais, que vêm de décadas, às vezes séculos, de dominação das elites", afirmou. "A Região Nordeste é um caso muito típico disso." O ministro evitou comparar a proposta de ACM ao projeto de taxação de fortunas apresentado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, na época em que era senador. "Não conheço detalhes nem de um nem de outro", disse ele, afirmando, no entanto, que todas as ações sociais do governo nos últimos quatro anos e meio buscaram combater a miséria.
Ele citou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), o programa de renda mínima do governo federal, que distribui bolsas-escola em municípios carentes, e as ações para erradicar o trabalho infantil. "A história reconhecerá que houve um avanço social muito importante já nos primeiros quatro anos do presidente Fernando Henrique", disse, ao anunciar a homologação de parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que permite a realização de exames supletivos no exterior.
Os baixos índices de popularidade do presidente foram atribuídos pelo ministro à crise econômica, que provocou um aumento do desemprego. "O País enfrentou uma crise internacional muito séria e se saiu melhor do que todos esperavam", disse. "Agora é a hora de começarmos a atuar positivamente, não só nos defendendo da crise externa, mas implementando a proposta de governo Avança, Brasil." A reforma ministerial, na avaliação de Paulo Renato, teria sido feita justamente com esse objetivo. "O presidente realizou uma mudança significativa no ministério, que garante a realização do programa de governo", observou. "Foi uma demonstração, não só pelos (ministros) que mudaram, mas pelos que permaneceram, de um compromisso com a sua proposta."

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