São Paulo, 05 (AE) - Na entrevista à Agência Estado, o diretor de pesquisa de mercados emergentes da Goldman Sachs, Paulo Leme, que acompanhou ontem, de Nova York, o pronunciamento de estréia de Armínio Fraga à frente do Banco Central, elogiou as duas atuações do BC esta semana: a elevação dos compulsórios e o aumento do juro. "O aumento do juro é especialmente bem recebido, uma vez que a inflação na casa dos 35% a 36% ao ano mostrava a insuficiência da taxa em 39%", afirmou, ao comentar o novo patamar do Selic (overnight) em 45%. "Era evidente que a política monetária tinha que ser mais restritiva", afirmou. Quanto ao câmbio, Paulo Leme afirmou que a Goldman Sachs fez um estudo mecânico com base em 66 países para avaliar a amplitude da desvalorização e qual seria o intervalo possível no caso do Brasil. O estudo aponta que o intervalo da taxa de câmbio, 12 meses após a desvalorização, ficaria entre R$ 1,90 e R$ 3,00. A taxa, no entanto, dependerá, em larga medida, do cumprimento das metas do programa econômico, afirmou Leme. Sobre sua permanência em Nova York, depois de ser cotado para o Banco Central, Leme afirmou que, neste momento, considerou mais adequado, por razões profissionais e pessoais, continuar na Goldman Sachs.

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