PARIS - O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Frederico Mayor, prestou uma emocionada homenagem ao pedagogo brasileiro Paulo Freire, falecido no dia 2 de maio, a quem citou como ‘‘mestre e amigo’’. Mayor lembrou que Paulo Freire era colaborador frequente da Unesco, que foi distinguido por numerosos prêmios, entre os quais o Prêmio Unesco da Educaçao para a Paz, conferido em 1986.
O diretor-geral da Unesco destacou que Paulo Freire foi ‘‘um pioneiro da luta contra o analfabetismo e soube - melhor que ninguém - mostrar que é sobre a educação que se baseiam todas as liberdades; que somente ela pode dar aos indivíduos o domínio sobre seus destinos’’. Ainda em tom emotivo e pessoal, Frederico Mayor afirmou que a vida de Paulo Freire ‘‘não lhe poupou nem da prisão, nem do exílio e foi a imagem de sua doutrina: uma prática da liberdade’’.
Repetindo um artigo que escreve do próprio punho quando soube do falecimento do pedagogo, o diretor-geral da Unesco afirmou que ‘‘os gigantes do espírito não morrem jamais, eles não fazem senão desaparecer, tornarem-se invisíveis’’.
O intelectual de Benin, Tadjani-Serpos, presidente do Conselho Executivo da Unesco, que esteve no Brasil em fevereiro, pediu aos participantes da sessão um minuto de silêncio em homenagem a Paulo Freire enquanto o embaixador brasileiro junto ao organismo, Fernando Pedreira, agradeceu pelas manifestações de pesar e propôs que o nome de Paulo Freire seja atribuido a um dos prêmios da Unesco para ações de alfabetização.

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