Paulo Betti pede apoio do governo ao cinema nacional em encontro com FHC
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Isabel Braga 
Brasília, 24 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu hoje no Palácio da Alvorada o ator Paulo Betti. Marcado por sua atuação como militante do PT, inclusive em programas eleitorais da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência, Betti esteve hoje com Fernando Henrique para entregar um exemplar do livro "João de Camargo de Sorocaba - O nascimento de uma religião", de autoria de Carlos de Campo Adolfo Prioli. Betti, que pretende fazer o filme "Cafundó" com base no livro, pediu a FHC o fortalecimento da indústria cinematográfica brasileira.
O ator lembrou ao presidente que mesmo durante a recessão norte-americana, o presidente Franklin Roosevelt continuou investindo na indústria cinematográfica. "Ele dizia: onde vai o nosso cinema, vão os nossos produtos", comentou Betti, que também defendeu o cinema como fator importante para a auto-estima dos brasileiros. Segundo Betti, o presidente reiterou que o governo vem estimulando a indútria cinematográfica e que o Brasil precisa do cinema.
Lançamento - O livro será lançado em Brasília no próximo dia 29 de março e conta a história de João de Camargo, um negro que nasceu em 1858 e morreu em 1942. Esse negro foi tema de dois capítulos do livro "O negro no mundo dos brancos", do sociólogo Florestan Fernandes. Segundo o ator, Fernando Henrique e ele conversaram sobre a ligação do personagem do livro com a sociologia do Brasil. Falaram ainda sobre o nome que pretende dar a seu filme "Cafundó". O ator comentou que existe um lugar chamado Cafundó, que fica próximo a Ibiúna, onde Fernando Henrique possui um sítio. Defesa - Betti defendeu hoje o colega, Guilherme Fontes, produtor do filme "Chatô, o rei do Brasil" e Norma Bengel, produtora de "O Guarani". Fontes está sendo acusado de não entregar a prestação de contas do filme, que está sendo produzido com recursos captados por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Ele já teria recebido mais de R$ 9 milhões para a produção do filme, que ainda não está concluído.
"É inacreditável que algumas pessoas se refiram ao "Chatô" como um defunto que não vai ressuscitar", comentou Betti, que interpreta Getúlio Vargas no filme. Para a conclusão da fita, Fontes alega que ainda precisa de mais R$ 1 milhão. Segundo Betti, algumas produções consomem mais tempo do que o previsto inicialmente e é preciso continuar pagando a equipe que trabalha para sua realização e por isso o orçamento foi além do estimado.


