São Paulo, 6 (AE) - Motoristas irritados com o novo aumento do combustível lotaram a partir do final da tarde de hoje os postos de São Paulo, para encher o tanque de seus veículos pela última vez antes do aumento de 9% nas distribuidoras, marcado para amanhã (7). Donos dos estabelecimentos afirmam que o reajuste para o consumidor chegará somente na semana da que vem, entre segunda e quarta-feira, prazo de duração dos estoques antigos.
Poucos motoristas, porém, adiaram o abastecimento, em razão do tamanho do índice anunciado: entre 7% e 8% para a gasolina, segundo previsão do Sindicato dos Postos de Gasolina do Estado de São Paulo. Foi o caso do estudante Juliano Jacob, de 25 anos.
Apesar de fazer trabalhos na área de computação e multimídia para ter alguma renda, ao mesmo tempo em que termina a universidade, ficará no prejuízo a partir desse aumento da gasolina. Ele fica em São Paulo apenas nos dias de semana e retorna para a casa da família, em Ribeirão Preto, para passar o fim de semana.
O resultado hoje é uma despesa de R$ 80 por semana - R$ 320 por mês, contando custo dos sete pedágios no seu trajeto, entre ida e volta, no total de R$ 28 por viagem. Até janeiro, a renda que tirava frente às despesas de viagem permitiam alguma sobra. Agora, com a quinta correção de preços no ano, vai faltar dinheiro, ele conta.
Rindo - Pouca gente que assistiu hoje à chegada do jovem microempresário Filipe Donovan, de 25 anos, a um posto na Marginal do Tietê, entendeu sua alegria. Dono de um Galaxie Landau antigo, que faz somente quatro ou cinco quilômetros por litro de combustível, ele chegou a computar uma despesa de R$ 30 por dia para viajar de Embu Guaçu, onde mora, para São Paulo - um trajeto de 40 quilômetros.
Mas, para Filipe, essa história é passado - daí o sorriso no rosto quando o restante dos consumidores só faz reclamar do aumento de preços. É que, no quarto aumento de combustível, no mês passado, ele teve a certeza de que o governo repassaria toda e qualquer variação do preço internacional do petróleo e do dólar para o consumidor, mesmo com o risco de aumento de inflação e de insatisfação popular. "O presidente já conseguiu o que queria, que era ser reeleito", disse.
Diante dessa constatação, colocou o Landau numa oficina, converteu o motor para álcool e fez alguns ajustes na engenharia do carro para reduzir consumo sem perder potência. "O resultado foi ótimo", disse. "Meu carro parece um tanque de guerra, mas consome como um carro pequeno."
Família - Para Flávio Henrique Barbosa dos Santos, aos 18 anos motorista de um lotação, o anúncio do aumento provocou sofrimento em família. O irmão também é perueiro. O pai, motorista de taxi. Os três juntos sustentam a casa e juntos vão sofrer prejuízo, já que não podem repassar para preços o aumento de despesas.
"Eu e meu irmão temos de cobrar dos passageiros o mesmo que os ônibus", contou. No caso do taxi da família, o movimento já anda fraco demais para que os motoristas reivindiquem reajuste da tarifa.
O reajuste também desagradou proprietários de postos. Edson Santos, dono de Posto Esso na Zona Norte da cidade, não sabia até hoje quanto repassar para o consumidor do aumento de 9% das distribuidoras. "Dificilmente definiremos esse índice antes de terça-feira", disse.
Nesse tempo, é possível acabar com os estoques e ainda descobrir quanto a concorrência vai repassar, para não perder clientes, segundo ele. "Precisamos ver que cartas a concorrência tem na manga antes de tomar uma decisão."

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