Cerca de 2 mil pessoas participaram ontem no Parque do Ibirapuera do enterro simbólico do parecer do deputado Moacyr Micheletto (PMDB-PR), – representante da bancada ruralista no Congresso – que propõe alterar o Código Florestal reduzindo a área de preservação obrigatória na Amazônia e no cerrado.
Organizado pela Fundação S.O.S. Mata Atlântica e Rádio Eldorado, com apoio do Greenpeace, o ato começou às 10 horas, quando centenas de pessoas, com o rosto pintado e vestindo camisetas com estampas ecológicas, começaram a colorir com vassouras três telas de 60 metros de comprimento, duas delas preparadas pelo artista plástico Carlos Costa com apliques de fita crepe que serviram como ‘‘máscaras’’.
A primeira faixa mostrava desenhos da fauna e flora da floresta, a segunda representava o equilíbrio entre o céu (sol, chuva, deuses) e a terra, com frases como ‘‘Deus salve nossas matas’’. A última era um abaixo-assinado estilizado que será levado para o Congresso Nacional, onde os ambientalistas pretendem realizar outro ato quarta-feira. Com os dizeres ‘‘Deputados, salvem nossas florestas’’, essa faixa acolheu assinaturas, desenhos e mensagens de centenas de pessoas para os parlamentares.
Mário Mantovani, diretor de relações institucionais da Fundação S.O.S. Mata Atlântica, lembrou que atos semelhantes estavam sendo realizados este fim de semana em diversas capitais do País, como Curitiba, Recife, Salvador, São Luís e Belém. Segundo ele, embora o projeto de Micheletto já tenha sido arquivado pelo governo, os ambientalistas vão fazer manifestações constantes até que o Congresso vote uma alteração do Código Florestal condizente com as necessidades do País.
‘‘Foi um absurdo a comissão mista do Congresso aprovar o projeto dos ruralistas e não o da comissão técnica do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que foi discutido por mais de 5 mil pessoas em 20 audiências públicas realizadas por todo o País’’, destacou Mantovani.

mockup