São Paulo, 5 (AE) - A partir de sábado, encher o tanque de gasolina do carro vai custar mais de R$ 50 para boa parte dos consumidores. O menor tanque entre os carros em linha é o do Corsa 1.0, de 46 litros. Serão necessários R$ 52,90, em média, para o abastecimento. Hoje, a mesma quantidade do combustível custaria R$ 49,22.
A barreira psicológica será ultrapassada após o reajuste de 8% para o consumidor, índice previsto pelo Sindicato dos Postos de Gasolina do Estado de São Paulo, depois que o governo determinou aumento de 9% nas distribuidoras.
Com isso, o litro da gasolina comum, em média de R$ 1,07 na cidade de São Paulo, passará para R$ 1,15. Trata-se da quinta correção de preços do ano, já acumulada em 63,2% nas refinarias, ante uma inflação de no máximo 9,96% (IGP-M). Segundo a Fipe, que mede o custo de vida em São Paulo, a inflação até julho foi bem menor, de 3,62%.
Segurança - O crescimento na despesa com veículos terá como consequência um novo empobrecimento do consumidor, mas não apenas isso, na opinião de quem tira o sustento do transporte de passageiros. "A frota de táxis vai envelhecer porque os motoristas não conseguem mais separar uma parte do ganho diário para investir num veículo novo", afirma Vanderlei Roldan Fieldler, na praça há 4 anos.
Dono de um Vectra 98, Fieldler diz que o ideal seria trocar o veículo a cada três anos. Contudo, fazendo as contas de quanto está sobrando hoje para o reinvestimento, chegou à conclusão de que só terá o capital necessário para a troca em cinco anos, no mínimo.
Segurança também é um item que deve ser discutido, segundo o motorista. "Os taxistas já estão esticando a vida útil do óleo, das peças, dos pneus, das lonas de freios, de tudo", diz.
Beberrões - Quem tem um Gol 1.6, passará a gastar R$ 58 65 para encher o tanque. Donos de carros mais sofisticados, como o Vectra 16 válculas 2.2, gastarão R$ 65,55. Mas quem está sofrendo muito com os aumentos de preços são os proprietários de carros antigos, mais "beberrões" do que os modelos com nova tecnologia.
O presidente do Clube do Fordinho, José Roberto Medice, conta que para manter seus 10 veículos de coleção em funcionamento (que rodam cinco quilômetros por litro) gastava em gasolina no em janeiro pouco mais de R$ 80 por semana. Hoje desembolsa R$ 107. A partir de sábado, o gasto subirá para R$ 115.
O ritmo frenético de reajustes está acabando com as finanças do clube. Ele contrata patrocínios para exibição dos carros antigos em várias cidades, com a participação dos sócios, que ganham uma quota de gasolina para isso. Na última apresentação, em Curitiba, o dinheiro do patrocínio dava para pagar 180 litros por participante - um total de cinco mil litros.
A gasolina aumentou depois de fechado o patrocínio, mas era tarde para reduzir a cota prometida aos sócios. Resultado: o clube teve prejuízo de R$ 4,8 mil, numa atividade que tinha por objetivo reforçar seu caixa.

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