Paulistano paga até 11,5% mais pelo combustível
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 16 (AE) - Consumidores de São Paulo estão pagando até 11,5% mais pelo combustível. Com o novo aumento, em vigor desde hoje, muitos postos passaram a cobrar R$ 0,999 (na prática R$ 1,00) pelo litro da gasolina comum.
O gás de cozinha está em média 5% mais caro. A Ultragás está vendendo o botijão de 13 quilos a R$ 14,50 no caminhão e a R$ 11,67 no balcão da empresa no bairro do Ipiranga. O governo previa um aumento de 4% para o gás e de 6% para a gasolina.
O Sindicato do Comércio de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) calcula que, na média, os preços da gasolina subiram entre 7% e 8%, acima do que esperava o Sindicato dos Revendedores (Recom), que também previa repasse máximo de 6%.
Muitos estabelecimentos decidiram manter a tabela atual até segunda-feira. Por conta disso, há diferenças de preços que chegam a 25% ou 30% de um posto para outro.
Os postos Brasão, no bairro de Jaçanã, Pégasus, no Bairro do Limão, e Cancun, na rua Vergueiro, vendem gasolina comum neste fim-de-semana entre R$ 0,769 e R$ 0,799 o litro.
O preço do diesel, que é tabelado, subiu para R$ 0,50. O governo autorizou um aumento de 8% para esse combustível mas, segundo o Sincopetro, algumas companhias repassaram 10%, "invadindo assim a margem dos revendedores".
No mês passado, quando o governo já havia autorizado um reajuste de 11,5% para a gasolina, muitos postos não conseguiram repassar todo o aumento para os consumidores.
Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o repasse médio ficou em 4,88%. "O mesmo pode ocorrer neste mês, pois a concorrência no setor é grande e alguns postos podem voltar a baixar os preços", disse o diretor do Sincopetro
Ricardo Hashimoto.
Esse foi o terceiro aumento neste ano, mas o governo já prepara um novo reajuste em data ainda não definida. O Ministério da Fazenda e o Ministério das Minas e Energia alegam que ainda será preciso repassar custos por conta da defasagem cambial e do aumento internacional do preço do petróleo. O reajuste acumulado já está próximo a 40%.
A Shell foi a companhia que repassou o maior índice de aumento para a gasolina ontem, de 11,5% para vários postos de São Paulo. Segundo a companhia, no País todo a média foi de 9%.
De acordo com pesquisa feita pelo Sincopetro, a distribuidora Texaco aumentou o preço da gasolina comum em 10 37% e a São Paulo em 10,29%. Na Esso o reajuste para os postos foi de 9,9%, na Ipiranga de 9,5% e na BR de 9,14%. O preço do álcool não foi alterado.


